Darren Whiteside / Reuters
Darren Whiteside / Reuters

Extremista islâmico é condenado à morte na Indonésia por ordenar atentados em 2016

Aman Abdurrahman é considerado o líder de todos os seguidores do Estado Islâmico no país e líder espiritual do movimento extremista islamista Jamaah Ansharut Daulah (JAD)

O Estado de S.Paulo

22 de junho de 2018 | 07h34

JACARTA - Um extremista islâmico foi condenado nesta sexta-feira, 22, à pena de morte na Indonésia por ter ordenado os atentados de 2016 em Jacarta, os primeiros ataques fatais cuja autoria foi reivindicada pelo grupo extremista Estado Islâmico (EI) no sudeste asiático.

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O pregador Aman Abdurrahman foi "declarado culpado de ter cometido um ato de violência e condenado à pena de morte", afirmou o presidente do tribunal, Akhmad Zaini, ao anunciar o veredicto. O juiz recordou o envolvimento do extremista em outros ataques.

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Abdurrahman não reagiu no momento do anúncio da sentença, mas pouco depois fez alguns gestos a seus advogados, abaixou para beijar o chão e pronunciou palavras inaudíveis. Um de seus advogados, Asludin Hatjain, afirmou que a decisão é "injusta" porque não foram apresentadas provas suficientes para comprometer seu cliente.

Aman Abdurrahman é considerado o líder de fato de todos os seguidores do EI na Indonésia e líder espiritual do movimento extremista islamista Jamaah Ansharut Daulah (JAD). O pregador tem contato com os dirigentes do EI e é o principal tradutor de sua propaganda na Indonésia, segundo analistas.

A Promotoria havia solicitado a pena de morte. Os atentados de Jacarta mataram quatro pessoas, além dos quatro homens-bomba.

Uma unidade da rede Starbucks e um posto policial foram destruídos no centro da capital do país, um local que reúne várias lojas, escritórios de agências da ONU e embaixadas.

As autoridades indonésias consideram que o JAD, que jurou lealdade ao EI, também está envolvido nos atentados de maio em Surabaya, segunda maior cidade do país. Duas famílias, incluindo duas meninas de 9 e 12 anos, atacaram uma igreja e uma delegacia de polícia e mataram 13 pessoas. Os agressores morreram nos ataques.

Abdurrahman está detido desde 2010, mas conseguiu recrutar militantes em nome do EI, de acordo com analistas. O JAD, criado em 2015, seria integrado por mais de 20 grupos extremistas indonésios que juraram lealdade ao líder do EI, Abu Bakr al-Bagdadi, segundo o Departamento de Estado americano.

Além dos atentados de Jacarta em 2016, o JAD está envolvido em outro ataque, realizado em 2017 contra um ponto de ônibus na capital, que matou três policiais e deixou vários feridos.

A Indonésia, país muçulmano mais populoso do mundo, enfrenta há muitos anos um movimento extremista islâmico. Após os atentados de Bali em 2002, que deixaram 202 mortos, incluindo vários estrangeiros, as autoridades iniciaram uma grande ofensiva contra os extremistas e reduziram a influência das redes mais perigosas, de acordo com analistas.

Mas o temor de um ressurgimento dos grupos extremistas aumentou recentemente. Centenas de indonésios viajaram ao exterior para lutar em nome do EI. / AFP

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