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Fed diante do dilema da guerra comercial entre China e Estados Unidos

Com desemprego abaixo de 4%, crescimento ininterrupto há dez anos e inflação sob controle, o Banco Central dos EUA acenava com altas nos juros para evitar o superaquecimento, mas embate embaralhou estratégia 

Helio Gurovitz, O Estado de S.Paulo

09 de junho de 2019 | 06h00

A guerra comercial e as eleições de 2020 criam um dilema para Jay Powell, o presidente do Fed. Com desemprego abaixo de 4%, crescimento ininterrupto há dez anos e inflação sob controle, o Banco Central dos Estados Unidos acenava até pouco atrás com altas suaves nos juros para evitar o superaquecimento da economia. 

A guerra comercial, porém, embaralhou a estratégia. O impacto das tarifas, equivalentes a impostos, ainda não está claro. De um lado, ainda não foi sentido pelo consumidor nos preços. Deverá ser a partir de setembro, quando as empresas fazem encomendas para as importações do ano seguinte (e poderão vigorar as novas rodadas que têm como alvo China).

De outro lado, o plano de trazer de volta fábricas e investimentos aos Estados Unidos também não surtiu resultado. À medida que arrefece o efeito dos cortes de impostos de 2017, a expectativa é que a economia esfrie.

Desde que o Fed retomou a política de alta, o juro subiu até 2,5%. Não há muito espaço para corte, se Jay Powell precisar estimular a atividade. Se decidir manter a alta, para conter a pressão na inflação, o risco será uma recessão.

Em ano eleitoral, é uma possibilidade de que Donald Trump nem quer ouvir falar. Powell insinuou que o juro poderia voltar a cair para evitar desaquecimento. A declaração sugere que dificilmente o Fed resistirá à pressão política – que poderá ajudar a inflar uma nova bolha.

CRIMINALIDADE

Celular reduziu homicídios nos EUA, diz estudo

Uma nova causa pode explicar a queda dos homicídios nos Estados Unidos nos anos 90: o telefone celular. É essa a conclusão das economistas Lena Edlund, da Universidade Columbia, e Cecilia Machado, da Fundação Getúlio Vargas, num estudo que associa a expansão da rede de telefonia, entre 1970 e 2009, à redução nos assassinatos. Antes do celular, a venda de drogas ocorria nas ruas, controladas por gangues violentas. Ao permitir que comprador e vendedor se conectem sem se ver, o celular reduziu o valor do território em poder das gangues – e a violência diminuiu.

ALEMANHA

Youtuber de 26 anos tumultua política alemã

A política alemã foi tomada pela discussão em torno de um vídeo do músico e youtuber Rezo, de 26 anos, publicado antes das eleições europeias. Com 55 minutos, visto quase 15 milhões de vezes, acusa a União Democrata-Cristã (CDU), da chanceler Angela Merkel (foto), de ter aumentado a desigualdade, sido cúmplice de crimes de guerra e ignorado o aquecimento global. O vídeo traduziu o sentimento dos eleitores que, nas urnas, desprezaram os partidos tradicionais. A reação sarcástica infeliz da líder da CDU, Annegret Kramp-Karrenbauer, despertou uma onda de solidariedade a Rezo e, ao mesmo tempo, uma discussão sobre limites à campanha política nas redes sociais. 

 

HISTÓRIA

Obra fundamental do capitalismo moderno vai a leilão

Vai a leilão nesta quarta-feira em Nova York um dos 120 exemplares remanescentes da obra fundamental do capitalismo moderno. Publicada em 1494, a Summa de Arithmetica, do matemático italiano Luca Pacioli consagrou os símbolos “+” e “-” para representar adição e subtração e formalizou o método de partidas dobradas dos venezianos, usado até hoje em contabilidade para controlar o caixa e monitorar a situação financeira das empresas. A Christie’s espera um lance mínimo de US$ 1,5 milhão.

SAÚDE

Professor de Harvard receita Bach para o coração

O cardiologista Peter Libby, da Universidade Harvard, defende o uso terapêutico da música de Johann Sebastian Bach. “Nós, médicos, temos o dever de curar tanto o espírito quanto o corpo. Devemos lembrar que o conforto vem não apenas de um bloco de receitas ou de um procedimento cardiovascular, mas também da própria capacidade de curar o coração, não apenas literalmente, mas também figuradamente”, escreve Libby na revista médica Circulation Research. “Podemos nos inspirar na grande arte, particularmente de Bach, para nos motivar.”

 

 

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