Mohammed Saber/EFE
Mohammed Saber/EFE

Foguetes palestinos ganham eficiência de forma impressionante; leia a análise de Roberto Godoy

Foguetes livres, de artilharia, evoluíram muito nos últimos dois anos e estão dando mais trabalho para o sistema antimíssil israelense Domo de Ferro

Roberto Godoy, O Estado de S.Paulo

13 de maio de 2021 | 10h00

Os foguetes utilizados pelo grupo Hamas no atual conflito com Israel ganharam, em uma rapidez impressionante, maior eficiência e precisão com relação aos enfrentamentos anteriores. Até agora, já foram identificados pelo menos nove tipos de foguetes iranianos disparados pelo Hamas contra o território israelense, mostrando que a origem dessas armas também não se alterou com relação a 2014. 

O grupo ainda recorre a um tipo de armamento sem sistema de guiagem - no qual se pode apenas determinar um alvo, mas não evitar variáveis que possam interferir sua trajetória. No entanto, esses chamados foguetes livres, de artilharia, evoluíram muito nos últimos dois anos e estão dando mais trabalho para o sistema antimíssil israelense Domo de Ferro.

O Domo de Ferro conta com um sistema eletrônico de radares capaz de prever se o foguete tem uma trajetória com risco de atingir uma área povoada ou alvos de infraestrutura. Os mísseis interceptadores são disparados de unidades móveis ou estáticas e são desenhados para explodir os foguetes no ar, caso ele ofereça risco. Do contrário, o Exército israelense simplesmente toma a decisão de deixar o foguete cair em qualquer lugar, se não oferecer nenhum perigo. 

Até há algum tempo, os foguetes eram disparados e restava ao grupo armado apenas torcer para que ele atingisse algum alvo. Agora, esses armamentos estão mais aperfeiçoados graças aos vários cientistas de alta formação e treinamento que atuam em pelos 120 centros de fabricação espalhados pelo Irã, segundo os serviços de inteligência de Israel e dos Estados Unidos. 

Os foguetes atuais medem, em média, 4,5 metros. Os maiores levam cerca de 150 kg de alto explosivo e tem 300 mm de calibre.

O alcance desses foguetes é mais preciso e suas deficiências mais primárias foram superadas. No ano passado, em uma ação pontual, as forças israelenses interceptaram um drone sem especificação, com explosivo e câmera, muito semelhante a um modelo iraniano e aos utilizados pelos rebeldes houthis contra alvos sauditas na guerra do Iêmen. Ao apresentar o aparelho, Israel falou das semelhanças com o modelo iraniano e também ponderou que ele poderia ser de fabricação doméstica.

Além disso, alguns dos foguetes disparados e encontrados no território israelense apresentaram partes de artilharia israelense deixadas em Gaza, mais um indício de que os grupos armados em Gaza estariam fabricando suas próprias armas.

Essa melhora no armamento palestino é algo extraordinário e significa que os grupos podem estar a um passo de construir mísseis grandes e pesados e de médio alcance, que não precisa ser nuclear para fazer um estrago brutal.

O que impressiona é a rapidez com que ficaram mais eficientes. Se há um ano eles tinham dificuldade de chegar a algum lugar, hoje eles caem onde foram programados para cair.

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