AP Photo/Patrick Semansky
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Fora da agenda, Ernesto Araújo se reuniu com Bannon em Washington

Chanceler passou apenas um dia em Washington para reuniões com a cúpula do governo americano, mas reservou tempo para uma reunião com o ex-estrategista do presidente americano, Donald Trump

Beatriz Bulla, CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

03 de maio de 2019 | 19h54

O chanceler brasileiro, Ernesto Araújo, fez uma visita a Steve Bannon, ex-estrategista do presidente americano, Donald Trump, na última segunda-feira. Araújo passou apenas um dia em Washington para reuniões com a cúpula do governo americano, mas reservou tempo para uma reunião, à tarde, na chamada “embaixada Breibart” - a casa onde Bannon vive e trabalha, atrás da Suprema Corte americana.

A crise na Venezuela ocupou parte do tempo das discussões do encontro. Ao longo do dia, Araújo tinha se reunido com dois dos principais expoentes da linha-dura adotada pelo governo Trump contra o regime de Nicolás Maduro: Mike Pompeo, secretário de Estado, e John Bolton, assessor de segurança nacional.

Ao falar sobre Venezuela com Bannon, a conversa girou em torno dos riscos de uma ação militar na região. O americano chegou a dizer que seria má ideia se o Brasil patrocinasse ou apoiasse uma intervenção com uso de força contra Maduro, o que era compartilhado pelos presentes.

Mas a conversa sobre Venezuela ocupou pouco do tempo do encontro. O restante da conversa, segundo fontes presentes, girou em torno da política externa do governo Bolsonaro e críticas ao vice, general Hamilton Mourão.

O encontro com Bannon não constou da agenda oficial do ministro. O último compromisso da agenda de Araújo nos EUA foi uma reunião às 14h15 com o diretor do Conselho Econômico americano, Lawrence Kudlow. Procurado, o Itamaraty não confirmou o encontro com Bannon.

Essa não foi a primeira vez que o chanceler se reuniu com o americano. Em fevereiro, quando foi a Washington para fazer a preparação da visita presidencial, Ernesto já havia ido conhecer o agitador de movimentos de direita populista pelo mundo. Araújo tinha sido descrito por apoiadores de Bolsonaro ligados a Olavo de Carvalho como “um sonho que se tornou realidade”. Na ocasião, o encontro com Bannon também não constou na agenda de Araújo.

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