Stephane Mahe/Reuters
Stephane Mahe/Reuters

Greve no transporte na França completa 29 dias e bate recorde

Paralisação começou há 29 dias após o governo propor uma reforma da Previdência, com um aumento da idade mínima para a aposentadoria

Redação, O Estado de S.Paulo

02 de janeiro de 2020 | 11h40

A greve nos transportes na França contra a reforma da previdência entrou em seu 29º dia nesta quinta-feira (2), um recorde histórico, com as negociações bloqueadas e a previsão de novas mobilizações na próxima semana.  No inverno de 1986-1987, os funcionários da empresa nacional de ferrovias (SNCF) permaneceram em greve por 28 dias.

A trégua durante as festas de fim de ano permitiu um cenário melhor nesta quinta, com apenas uma linha de metrô totalmente fechada em Paris e metade dos trens de alta velocidade em circulação no país.

Quase 200 manifestantes se reuniram nesta quinta na frente de uma refinaria em Donges (no oeste do país) e bloquearam as saídas.

Os sindicatos convocaram uma nova mobilização nacional para 9 de janeiro e, a partir da próxima segunda-feira (6), estão previstas manifestações de várias categorias de profissionais liberais, como os advogados, e no setor petroleiro.

O sindicato CGT quer organizar bloqueios a partir de terça-feira em refinarias e depósitos de combustíveis.

O secretário-geral da CGT, Philippe Martinez, pediu a participação de todos os franceses na paralisação.

A secretária de Estado de Economia, Agnès Pannier-Runacher, criticou este tipo de mobilização e afirmou que o "bloqueio de refinarias é ilegal".

Na mensagem de fim de ano, o presidente francês, Emmanuel Macron, pediu um "compromisso rápido" entre o governo e os sindicatos.

Para Entender

O sistema de Previdência social igual para todos proposto por Macron

Reforma é a mais audaciosa da agenda social do presidente francês para este ano e busca extinguir as distorções que beneficiam vários setores; em contrapartida, não haverá aumento da idade de aposentadoria, hoje fixada em 62 anos

O governo aposta em buscar uma solução negociada com os sindicatos mais reformistas (CFDT, CFTC e Unsa).

A greve de várias categorias começou após o anúncio de um projeto de reforma da previdência, que pretende unir os 42 regimes de pensões existentes em um sistema único e aumentar em dois anos (de 62 para 64 anos) a idade mínima para receber a aposentadoria integral.

Essa última cláusula é um dos principais obstáculos nas negociações. Segundo o líder do CFDT, Laurent Berger, esta é uma "linha vermelha".

Desde 2013, existe um sistema que estima a periculosidade de determinadas profissões, entre elas o transporte de cargas pesadas, o uso de agentes químicos perigosos ou trabalhar com as vibrações de máquinas.

Em 2017, porém, algumas condições foram retiradas dessa lista após os protestos dos sindicatos, que agora desejam manter a pressão a respeito da insalubridade de alguns empregos. 

"Quando você tem uma carreira longa, já tem uma idade de aposentadoria diferente. A dificuldade (do trabalho) tem que ser levada em consideração", afirmou a ministra da Transição Ecológica, Élisabeth Borne. 

Ela alegou, contudo, que é necessário aumentar em dois anos a idade da aposentadoria para manter o equilíbrio financeiro do Estado.

A idade legal de aposentadoria continuará sendo de 62 anos, mas o trabalhador terá que esperar até os 64 (medida que será aplicada a partir de 2027) para receber a pensão integral.

O projeto de reforma da previdência deve ser apresentado ao conselho de ministros em 22 de janeiro. / AFP

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