Saumya Khandelwal/The New York Times
Saumya Khandelwal/The New York Times

Índia registra recorde de novos casos da covid-19, mas anuncia flexibilização do confinamento

Em 24 horas, foram registrados quase 8 mil novos contágios pelo novo coronavírus; pensando na questão econômica, governo autoriza hotéis, restaurantes e templos religiosos a retomar atividades

Redação, O Estado de S.Paulo

30 de maio de 2020 | 17h08

NOVA DÉLHI - Ao mesmo tempo em que registrou o recorde de contágios por coronavírus, a Índia anunciou neste sábado, 30, uma importante flexibilização do confinamento no país. A partir do dia 8, templos religiosos, hotéis, restaurantes e centros comerciais poderão retomar as atividades.

O país, o segundo mais populoso do mundo, continua em plena crise de saúde pela pandemia. Nas últimas 24 horas, a Índia registrou 7.964 novas infecções, totalizando mais de 85 mil casos e 4.971 mortes. 

Mesmo assim, as autoridades anunciaram a flexibilização do confinamento, exceto nas denominadas "zonas de contenção", onde os números de contágio permanecem elevados. O primeiro-ministro Narendra Modi admitiu que a maior parte do país "enfrentou um grande sofrimento", em uma carta aberta publicada neste sábado.

Os centros de ensino dependem de uma consulta prévia com as autoridades de cada Estado para retomarem as atividades, anunciou o ministério do Interior.

Cinemas, piscinas públicas e bares permanecerão fechados. O transporte aéreo internacional e o transporte público continuarão parados. Os grandes eventos políticos e religiosos, assim como os campeonatos esportivos, permanecerão suspensos. O toque de recolher nacional começará duas horas mais tarde, a partir das 21 horas. 

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Não serão permitidas entradas ou saídas nas zonas de contenção, exceto por razões médicas e de abastecimento de bens e serviços. Nestas áreas o governo organizará um "rastreamento intensivo de contatos, vigilância porta a porta e outras intervenções clínicas", explicou o ministério.

Economia

Com o objetivo de conter a propagação da epidemia de covid-19, praticamente todas as atividades econômicas do país foram paralisadas desde o fim de março, o que deixou centenas de milhões de pessoas sem trabalho quase da noite para o dia.

Milhões de trabalhadores migrantes retornaram para suas cidades natais, muitos deles percorrendo a pé centenas de quilômetros.

De acordo com os dados publicados pelo governo na sexta-feira, a Índia, terceira maior economia da Ásia, registrou o menor ritmo de crescimento em pelo menos duas décadas no último trimestre. O período, no entanto, inclui apenas o início da quarentena. Analistas apontam que o crescimento desacelerou ainda mais desde então.

O governo Modi adotou algumas medidas para conter as consequências econômicas da pandemia, autorizando a atividade industrial e agrícola em zonas com poucos casos registrados. Muitos lugares, no entanto, estão com problemas para encontrar funcionários. Além disso, o primeiro-ministro anunciou um pacote de ajudas de US$ 266 bilhões, 10% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, para estimular a economia. / AFP

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