Yuriko Nakao/Japão
Yuriko Nakao/Japão

Japão tem o menor número de nascimentos desde 1874

País tem 512 mil pessoas a menos este ano do que no ano passado, de acordo com uma estimativa divulgada pelo Ministério do Bem-Estar do país

Redação, O Estado de S.Paulo

26 de dezembro de 2019 | 05h00

TÓQUIO - O Japão tem 512 mil pessoas a menos este ano do que no ano passado, de acordo com uma estimativa divulgada na terça-feira, 24, pelo Ministério do Bem-Estar do país. A redução representa mais do que toda a população da cidade de Atlanta, nos EUA. Os números são o último sinal dos crescentes desafios demográficos do Japão.

Os nascimentos no país - que devem cair para menos de 900 mil neste ano - estão em seu nível mais baixo desde 1874, quando a população era cerca de 70% menor que os atuais 124 milhões

O número total de mortes, por outro lado, está aumentando. Este ano, ele deve chegar a quase 1,4 milhão, o nível mais alto desde o fim da 2ª Guerra, um aumento explicado pelo fato de a população estar cada vez mais velha.

Essa diferença entre nascimentos e mortes colocou o Japão em um aperto demográfico. À medida que o número de nascimentos diminui, há menos jovens entrando em sua força de trabalho. Isso significa que menos pessoas substituem os trabalhadores aposentados e os apoiam à medida que envelhecem, situação que representa uma séria ameaça à vitalidade econômica do Japão e à segurança de sua rede de segurança social.

O Japão não é o único país a lidar com uma sociedade em contração. Não é nem o país com a menor taxa de natalidade: esse título vai para a Coreia do Sul. E outros países - incluindo China e Estados Unidos - também enfrentam taxas de natalidade em declínio, o que pode significar problemas no futuro. Mas no Japão, quase 28% de seus residentes têm mais de 65 anos.

O país teve algum tempo para lidar com os efeitos de sua população em declínio - ele está diminuindo constantemente desde 2007. Naquele ano, a população do país foi reduzida em 18 mil pessoas.

Desde então, porém, as perdas se aceleraram, cruzando a marca de meio milhão este ano pela primeira vez. Em todo o país, vilas inteiras estão desaparecendo, pois os jovens optam por não ter filhos ou se mudar para áreas urbanas em busca de melhores oportunidades de emprego.

E não há fim para o declínio à vista. O governo estima que a população possa encolher cerca de 16 milhões de pessoas - ou quase 13% - nos próximos 25 anos.

Em resposta, o Japão fez esforços para aumentar sua taxa de fertilidade - o número médio de nascimentos por mulher - de seu nível atual de 1,4 para uma meta de 1,8, ainda aquém dos 2,1 considerados necessários para manter a população estável.

O governo passou a incentivar os nascimentos, aumentando os incentivos para os pais terem mais filhos e reduzindo os obstáculos que podem desencorajar aqueles que desejam.

Mas os incentivos estão se mostrando insuficientes à medida que mais pessoas no Japão estão adiando a gravidez - ou não têm filhos - para aproveitar as oportunidades econômicas ou porque se preocupam com a inexistência de oportunidades econômicas e sentem que não podem pagar pelos custos que envolvem criar uma criança.

Mesmo para quem quer ser pai, os obstáculos permanecem assustadores

A demanda por creches no país ultrapassa em muito a oferta, dificultando às mulheres que trabalham fora conciliar carreiras e filhos. E os homens que desejam tirar proveito da generosa licença-paternidade do país muitos vezes podem se ver estigmatizados por uma crença cultural arraigada de que o lugar de um homem é no escritório, não em casa.

Além das preocupações do governo, o casamento está em declínio. O número de casamentos caiu 3 mil em relação ao ano anterior, para 583 mil, de acordo com os dados divulgados na terça-feira, parte de um declínio acentuado na última década.

À medida que os nascimentos continuam a cair, o Japão tenta promover os robôs como um complemento à força de trabalho em queda.

Também se comprometeu a aceitar um número limitado de imigrantes para lidar com trabalhos vitais, como cuidar de idosos. Este ano, o país começou a emitir mais de 250 mil vistos para os imigrantes que farão esse trabalho. / THE NEW YORK TIMES 

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