Luisa Gonzalez / Reuters
Luisa Gonzalez / Reuters

Morre jovem ferido em protesto na Colômbia

Dilan Cruz, um estudante de 18 anos, morreu após ser atingido na cabeça por um tiro que teria sido disparado por agentes de segurança

Redação, O Estado de S.Paulo

26 de novembro de 2019 | 09h47

BOGOTÁ - Estudantes, ativistas e indígenas marcharam na segunda-feira, 25, pelo centro da capital colombiana, Bogotá, no quinto dia de manifestações contra o governo.

Dilan Cruz, um estudante de 18 anos, foi atingido na cabeça por um tiro que teria sido disparado por agentes de segurança durante uma manifestação. O caso impactou a sociedade colombiana, dando início a um debate sobre o uso excessivo de força e se transformou em um símbolo para muitos jovens manifestantes.

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A medida que a notícia sobre a morte de Cruz se espalhava, os manifestantes começaram a se unir para um “panelaço” gritando “O Estado matou ele” na rua de Bogotá onde o jovem foi baleado.

O presidente colombiano, Iván Duque, escreveu em sua conta no Twitter que lamenta profundamente a morte de Cruz e enviou condolências à família. O mandatário prometeu uma rápida investigação sobre o incidente no qual o jovem ficou ferido.

Maior protesto dos últimos anos

A Colômbia registra protestos desde quinta-feira, quando aproximadamente 250 mil pessoas tomaram as ruas do país durante uma greve organizada por sindicatos, grupos de estudantes e organizações indígenas.

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O protesto foi o maior do país nos últimos anos, seguido por marchas menores, além de saques que resultaram na morte de outras pessoas e levaram as autoridades a impor um toque de recolher na capital pela primeira vez desde 1977.

Os distúrbios foram registrados após as mobilizações antigovernamentais no Equador, na Bolívia e no Chile, que fizeram com que os dirigentes equatoriano e chileno propusessem mudanças em suas políticas econômicas e obrigaram o presidente boliviano a renunciar.

‘Diálogo nacional’

Em resposta ao crescente descontentamento, Duque iniciou um “diálogo nacional” no domingo para abordar assuntos como a violência nas áreas rurais, a política ambiental e o “crescimento com equilíbrio”.

O presidente se reuniu com governadores e prefeitos eleitos recentemente no domingo à noite, e no dia seguinte conversou com líderes empresariais e alguns sindicatos.

Duque convidou o Comitê Nacional de Greve, grupo que impulsionou os protestos, a dialogar nesta terça, mas seus líderes disseram que somente fariam uma reunião de uma hora de duração.

Membros do grupo afirmaram que querem mais participação em qualquer mudança no sistema de pensões, nas leis trabalhistas e no plano de reforma fiscal que o governo apresentou recentemente ao Congresso. 

Eles também pedem financiamento para as universidades públicas e o fim do “fracking”, um método de extração de petróleo ao qual Duque se mostrou aberto.

O governo tentou manter a ordem ao prender 172 pessoas nos dois primeiros dias de mobilizações. Na segunda-feira, a agência migratória colombiana iniciou a deportação de 59 cidadãos venezuelanos que foram detidos por supostos “atos de vandalismo” durante os protestos, que já deixaram 4 mortos e 500 feridos. / AP e AFP

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