REUTERS/Susana Vera
REUTERS/Susana Vera

Líderes catalães estudam data para declarar independência

Presidente do governo regional, Carles Puigdemont, discursará nesta quarta sobre os próximos passos do plebiscito de secessão; fontes do governo catalão afirmaram que data mais provável para declaração unilateral de separação é segunda-feira

O Estado de S.Paulo

04 Outubro 2017 | 12h55
Atualizado 04 Outubro 2017 | 13h04

BARCELONA - O governo regional da Catalunha estuda a melhor data para declarar sua independência da Espanha depois da votação, no domingo, de um plebiscito separatista - considerado ilegal por Madri - que desencadeou a mais grave crise política no país em décadas

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O presidente do governo regional catalão, Carles Puigdemont, fará um discurso às 16 horas (21 horas em Barcelona) desta quarta-feira, 4, mas não adiantou qual deve ser o teor de sua fala. Fontes do governo catalão afirmaram que até o momento a data mais provável para a declaração é a próxima segunda-feira.

Na noite de ontem, em entrevista à emissora britânica BBC, ele disse que declarará a independência da região em relação à Espanha em questão de dias, "no final desta semana ou no começo da próxima".

As autoridades espanholas, no entanto, insistem que farão todo o possível, junto com a Justiça do país, para impedir a separação. O governo conservador do primeiro-ministro, Mariano Rajoy, indicou que já respondeu com "todas as medidas necessárias" para se contrapor ao desafio catalão e disse manter reuniões com os líderes da oposição para alcançar consenso sobre a melhor forma de lidar com a crise.

Na próxima segunda, o líder catalão deve fazer uma declaração ao Parlamento regional com um balanço da realização do plebiscito. Mireia Boya, legisladora do partido de esquerda radical Candidatura de Unidade Popular (CUP) disse que nesta sessão o Legislativo regional discutirá a declaração de independência. A CUP não é parte do governo catalão.

A Espanha estremeceu com o referendo catalão e com a reação da polícia espanhola, que usou cassetetes e balas de borracha para impedir as pessoas de votarem. Centenas de pessoas ficaram feridas, gerando cenas que provocaram repúdio em todo o mundo. 

Mais de 700 mil catalães foram às ruas na terça-feira para condenar a ação policial, interrompendo o tráfego das ruas, o transporte público e os negócios e despertando o temor de uma intensificação dos tumultos em uma região que representa um quinto da economia da nação.

A pior crise espanhola em décadas afetou o euro e elevou acentuadamente os custos dos empréstimos para Madri, e os bancos lideraram uma queda nas ações espanholas nesta quarta-feira.

O titular da Economia, Luis de Guindos, tentou apaziguar os receios de investidores e consumidores. “Os bancos catalães são bancos espanhóis, e os bancos europeus são sólidos e seus clientes não têm o que temer”.

/ AP, REUTERS e EFE

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