EFE/Cristian Hernández
EFE/Cristian Hernández

Maduro acusa oposição de incitar sanções dos EUA e pede julgamento por ‘traição à pátria’

'As medidas ilegais anunciadas pelo presidente Trump violam o direito internacional e a Carta das Nações Unidas', diz líder chavista

O Estado de S.Paulo

25 Agosto 2017 | 19h44

CARACAS - O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, responsabilizou na noite desta sexta-feira, 25, o presidente da Assembleia Nacional, o opositor Julio Borges, pelas sanções implementadas pela Casa Branca contra seu governo, que vetaram o acesso do país e da estatal PDVSA a financiamento de instituições financeiras americanas. 

Maduro pediu que a Assembleia Nacional Constituinte e ao Tribunal Superior de Justiça (TSJ) – ambos leais ao chavismo – que  abram processos por “traição à pátria” contra opositores.

“As medidas ilegais anunciadas pelo presidente Trump violam o direito internacional e a Carta das Nações Unidas”, disse Maduro em cadeia de rádio e TV. “Ratificam o caminho de agressão imperial dos Estados Unidos.”

Maduro disse também que o objetivo dos Estados Unidos é forçar a Venezuela a dar um calote em sua dívida externa.

Mais cedo, o Ministro de Relações Exteriores da Venezuela, Jorge Arreaza, rechaçou sanções e acusou os Estados Unidos de tentarem promover uma crise humanitária na Venezuela. 

Em visita à sede das Nações Unidas, em Nova York, o chavista pediu que a entidade se posicione contra a punição e prometeu defender os cidadãos de seu país “com todos os meios.” “É a pior agressão à Venezuela nos últimos 200 anos”, disse Arreaza. “O que querem os Estados Unidos? Nos matar de fome?”

Punição. Com as sanções, está proibida  a compra de novos bônus lançados pela Venezuela ou pela petroleira estatal PDVSA. As medidas não atingem os papéis já emitidos pelo país e negociados no mercado secundário de títulos.

A decisão restringe de maneira drástica a possibilidade da Venezuela de captar recursos no mercado para financiar sua dívida e aumenta o risco de um default. Mas elas não atingem as exportações de petróleo do país, que são sua principal fonte de recursos. Os EUA isentaram das sanções bônus da PDVSA com prazo inferior a 90 dias, o que permitirá a continuidade da comercialização de seus produtos. Também não serão atingidos os papeis soberanos com prazo menor que 30 dias.

As sanções atingem apenas dois títulos já existentes. Segundo a Casa Branca, esses papeis são detidos exclusivamente por entidades dentro da Venezuela e foram incluídos para evitar que o governo os usasse com o objetivo de contornar a proibição de compra de novos bônus por americanos. / REUTERS

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