EFE/Michael Reynolds
EFE/Michael Reynolds

Nikki Haley renuncia ao cargo de embaixadora americana na ONU

Ex-governadora da Carolina do Sul é um dos membros mais populares do governo Trump; presidente elogiou seu trabalho e diz que filha Ivanka seria uma 'dinamite' no cargo, mas ele enfrentaria acusações de nepotismo

O Estado de S.Paulo

09 Outubro 2018 | 12h54
Atualizado 09 Outubro 2018 | 20h41

NOVA YORK - A embaixadora dos Estados Unidos na ONU, Nikki Haley, apresentou sua renúncia ao presidente Donald Trump, nesta terça-feira, 9. A informação foi confirmada por ambos em entrevista no Salão Oval da Casa Branca.

Trump disse que a considera uma pessoa "muito especial". "(Nikki) fez um trabalho fantástico", afirmou o presidente sobre a embaixadora, que integra seu governo desde janeiro de 2017 e deixará o posto nas Nações Unidas no fim do ano. "(Ela) me disse há uns seis meses (...) que queria descansar."

Haley, de 46 anos, negou por sua vez que tenha planos de disputar a eleição presidencial em 2020 - pouco depois de a informação da saída dela ser divulgada, analistas especularam que poderia tratar-se de uma forma de cortar laços com Trump para disputar um cargo no futuro próximo.

"É importante que os governantes saibam quando é necessário dar um passo para o lado", disse Haley ao lado do presidente.

Nova nas relações internacionais, Haley se colocou rapidamente na linha de frente da diplomacia americana. Mas desde que Rex Tillerson foi substituído no Departamento de Estado por Mike Pompeo, muito próximo a Trump, ela parecia mais retraída.

A ex-governadora da Carolina do Sul e um dos membros mais populares do governo Trump entrou para a equipe do republicano pouco depois de sua vitória na eleição de novembro de 2016 e se diferenciava por manter uma linha dura na ONU contra a Coreia do Norte e o Irã, principais questões da política externa do atual governo americano.

Na última Assembleia Geral das Nações Unidas, Haley instigou manifestantes da oposição venezuelana com um megafone, comportamento extremamente incomum para um diplomata sênior.

Sua saída do governo é a renuncia mais recente na turbulenta Casa Branca de Trump, que já está em seu terceiro assessor de segurança nacional e em seu segundo secretário de Estado em menos de dois anos.

A renúncia acontece poucas semanas antes da eleição legislativa de meio de mandato, que será crucial para determinar qual partido comandará a Câmara e o Senado a partir de 2019.

Substituições.  Ao comentar sobre possíveis substitutas para Haley, Trump afirmou que sua filha e conselheira na Casa Branca, Ivanka, seria uma "dinamite" como embaixadora na ONU, mas ela rapidamente descartou essa possibilidade.

"As pessoas que a conhecem sabem que Ivanka é dinamite. Mas, vocês sabem, eles me acusariam de nepotismo", disse Trump a jornalistas na Casa Branca. A própria Ivanka logo rejeitou a ideia.

"É uma honra servir na Casa Branca junto com tantos colegas excelentes e sei que o presidente nomeará um substituto formidável para a embaixadora Haley. Essa substituição não serei eu", escreveu no Twitter.

Trump afirmou ainda que considera selecionar a ex-executiva do Goldman Sachs e ex-assessora da Casa Branca Dina Powell para o cargo. Ele disse que Haley o ajudará a fazer a escolha final de seu substituto. / AFP e EFE

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