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O apoio disperso da Europa ao opositor venezuelano Juan Guaidó

A grande maioria dos países da União Europeia prefere Juan Guaidó ao presidente Nicolás Maduro, mas essa aprovação ainda é um tanto dispersa

Gilles Lapouge, O Estado de S.Paulo

05 Fevereiro 2019 | 05h00

A Europa apoia Juan Guaidó, o jovem deputado que preside a Assembleia Nacional da Venezuela. Mas essa aprovação é um tanto dispersa. A grande maioria dos países da União Europeia prefere Juan Guaidó ao presidente Nicolás Maduro, porta-estandarte da revolução bolivariana, herdeiro de Hugo Chávez, que conseguiu levar a inflação da Venezuela ao patamar inimaginável de 1.600.000%, em 2018, e desacreditar gravemente a Venezuela no exterior.

Podemos distinguir quatro cenários. Em primeiro lugar, um país que defende Maduro é a Grécia. Sem dúvida, o atual líder grego, Alexis Tsipras, encontrou este estratagema para lembrar que ele foi, há mais ou menos cinco anos, um revolucionário antes de se submeter ao Fundo Monetário Internacional (FMI).

Depoi,s há aqueles que mostram hesitação: a Hungria e, especialmente, a Itália. O governo italiano, formado por elementos de todas as cores políticas, se pergunta quem apoiar. Os ministros de direita, como o ministro do Interior, Matteo Salvini, adotam a posição do Brasil e dos Estados Unidos, favorável a Juan Guaidó. Mas a outra metade anarco-populista do governo, o Movimento Cinco Estrelas, permanece fiel a Nicolás Maduro.

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Mas a maior parte dos membros da União Europeia respalda Juan Guaidó, e alguns com mais ímpeto. Há alguns países na vanguarda, como França, Espanha, Reino Unido e logo mais a Áustria, que reconheceram Guaidó como “chefe de Estado interino e habilitado a convocar as eleições presidenciais”. O mais impaciente é a França. Um diplomata francês do alto escalão deplorou a timidez de alguns países europeus. “Não queremos nos manter na simples retórica. Compromissos na base do mais simples denominador comum, em política externa, são o símbolo de uma Europa que não avança.”

Este diplomata, sem dúvida, referiu-se às ousadias medrosas dos responsáveis pela União Europeia. Uma reunião com os 28 países-membros foi realizada em 1.º de fevereiro. Falou-se muito claro e o objetivo da maioria era a saída de Maduro. Mas a hierarquia desejava que a saída ocorresse sem dor, com sorrisos, se possível, evitando ferir ou humilhar quem quer que seja. 

A responsável pela diplomacia da União Europeia, a italiana Federica Mogherini, explicou: “Queremos uma saída pacífica e democrática. A violência já foi bastante utilizada na Venezuela. Queremos evitar qualquer tentação militar.”

Nessa dispersão entre os europeus, que, com exceção de dois países, estão a favor de Juan Guaidó, observamos os escrúpulos que os sábios manifestam cada vez que o direito, a lei, a Constituição, são atingidos. É o que vem ocorrendo na Venezuela. Nicolás Maduro e Juan Guaidó, cada um a seu modo, violaram a Constituição. Maduro, ao desejar assumir a presidência após uma eleição denunciada como fraudulenta e irregular pela maioria dos Estados. Guaidó, por se autoproclamar presidente em resposta à repressão de Maduro. 

Todas essas feridas não impedirão, provavelmente, que as próximas eleições sejam organizadas e permitam apaziguar e salvar um país à deriva. Claro que haverá cicatrizes dolorosas e sequelas. E, em face dessas incertezas e da lentidão, há a ameaça do presidente Donald Trump de uma operação militar americana. Mas, nesse caso, o consenso prevalece: “Que ele não faça isso”! / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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