NOAA / RAMMB / AFP
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O que é um furacão de categoria 5? Entenda como os fenômenos são classificados

Florence segue em direção à costa leste dos EUA e deve tocar a terra na noite de quinta-feira

O Estado de S.Paulo

12 Setembro 2018 | 09h48

O furacão Florence segue em direção à costa leste dos EUA e meteorologistas afirmam que o fenômeno - agora de categoria 4 - pode ganhar força e subir para o nível 5, o mais forte da escala de medição.

Ser qualificado como um furacão de categoria 5 significa que os ventos podem ser tão fortes a ponto de causar estragos extremos e catastróficos. Se o Florence chegar a esse nível, não ficará necessariamente nele. A força da tempestade pode oscilar enquanto viaja, e os furacões tendem a enfraquecer quando tocam a terra, disse Bob Henson, meteorologista do Weather Underground.

Ainda assim, ele ressalta que isso não torna o fenômeno menos sério. Mesmo se ficar por um breve período de tempo no nível 5, teria consequências drásticas. “É um furacão forte e empurrará um pouco de água para a costa”, explicou Henson.

A expectativa é que o Florence toque a terra na noite de quinta-feira. Especialistas dizem que a tempestade pode ameaçar vidas, causar inundações, além de deixar algumas áreas sem energia elétrica por vários dias.

Como surgiu a escala?

As cinco categorias de tempestade têm como base a velocidade dos ventos e são amplamente destinadas a ajudar a prever danos estruturais. “Não é apenas meteorologia”, disse Joel Cline, meteorologista de apoio a furacões na Administração Oceânica e Atmosférica Nacional. “Trata-se mais de uma escala com base nos impactos.”

Herbert Saffir, um engenheiro estrutural, criou a escala em 1969. Foi expandida com a ajuda de Robert Simpson, um ex-diretor do Centro Nacional de Furacões dos EUA, e ficou conhecida como escala Saffir-Simpson em 1970. O sistema levava em consideração diversos fatores, incluindo chuvas e pressão atmosférica. Contudo, em 2010, uma atenção maior passou a ser dada à velocidade dos ventos.

Atualmente, uma tempestade de categoria 1 tem ventos sustentados com velocidade entre 119 km/h e 152 km/h, enquanto um de categoria 5 apresenta ventos que chegam a 252 km/h.

De 1 a 5

Um furacão de categoria 1 pode causar danos em telhados, telhas, revestimentos e calhas em “casas com estruturas bem construídas”, e “rompimento de grandes galhos e quedas de árvores”, de acordo com a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional.

Fenômenos das categorias 3, 4 e 5 são considerados “maiores”. O furacão Maria foi classificado como 4 quando chegou a Porto Rico em 2017, matando milhares de pessoas e causando falhas de energia que duraram meses.

Se os ventos de um furacão chegarem ao nível 5, “muitas casas serão destruídas”, de acordo com o Centro Nacional de Furacões, e “quedas de energia durarão semanas ou até meses. A maior parte da região ficará inabitável por semanas ou meses”.

Apenas alguns furacões tocaram a terra nos EUA em categoria 5. O último foi o Andrew, em 1992.

O que os números não dizem

Meteorologistas alertam que um furacão pode ser muito perigoso independente da categoria, principalmente porque a escala Saffir-Simpson não nos conta a história inteira. Ela não aponta (diretamente), por exemplo, para níveis de precipitação ou tempestades e esses fatores estão muito ligados ao risco de enchentes.

O furacão Sandy, por exemplo, em 2012, tocou a terra como tempestade de categoria 2. Mesmo assim, causou inundações, deslizamentos de terra, falhas na distribuição de energia e dezenas de mortes no Caribe e nos EUA.

O Harvey chegou ao Texas com categoria 4 em 2017 e logo foi reduzido a 3. Esta classificação não explicava os dias de chuva intensa que se seguiriam, levando a enchentes fatais e catastróficas.

Mesmo as tempestades tropicais, com ventos muito fracos para chegar a receber uma classificação da escala Saffir-Simpson, podem resultar em danos sérios e perda de vidas.

Para Cline, não importa a categoria do fenômeno, as pessoas no caminho de um furacão como o Florence devem fazer o que podem para “evitar a água” e se distanciar de oceanos, baías e rios. “Fiquem em estruturas seguras para ventos dessas categorias porque eles precisam ser levados muito a sério”, alertou ele. / NYT

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