STR/AFP
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O que se sabe sobre as novas tensões entre Rússia e Ucrânia

Mobilização militar na fronteira e novos confrontos entre separatistas pró-russos e forças de Kiev causam inquietação

Redação, O Estado de S.Paulo

14 de abril de 2021 | 15h00

As tensões entre Rússia e Ucrânia foram retomadas após uma grande mobilização militar russa na fronteira e novos confrontos entre os separatistas pró-russos e as forças de Kiev, que solicitaram ajuda a países ocidentais.

Entenda o cenário em cinco pontos:

Combates com os separatistas

As forças de Kiev mantêm uma guerra desde 2014 contra os separatistas pró-russos que tomaram o controle de territórios no leste ucraniano.

Após intensos combates que provocaram mais de 13 mil mortes, o conflito diminuiu sua intensidade desde 2015 e o último cessar-fogo, acordado no ano passado, foi amplamente respeitado.

No entanto, no início de 2021 houve um surto de violência envolvendo combates com morteiros e artilharia, nos quais ao menos 29 soldados ucranianos morreram, contra 50 em todo o ano de 2020.

Moscou envia tropas

Paralelamente, Kiev acusou Moscou de enviar tropas às suas fronteiras, estimadas nesta segunda-feira, 12, em cerca de 83 mil soldados, metade deles na Crimeia, península anexada pela Rússia em 2014. 

A Rússia não desmentiu o envio das tropas, mas insistiu que "não ameaça ninguém" e denunciou "provocações" ucranianas. 

Nesta terça-feira, 13, o ministro da Defesa russo, Serguei Shoigu, confirmou o envio de tropas ao oeste e sul do país, afirmando que o deslocamento é uma resposta às ações "ameaçadoras" da OTAN.

Shoigu afirma que as tropas enviadas nas últimas três semanas realizam "exercícios militares" que ainda vão durar duas semanas. 

Dois analistas militares russos entrevistados pela Agência France-Presse, Vassili Kashin e Alexandre Goltz, consideraram que essas unidades contam com cerca de 100 mil soldados. 

Washington afirmou nesta semana que nunca houve tantas tropas russas nas fronteiras com a Ucrânia desde 2014.

Ocidentais com Kiev

Os aliados ocidentais da Ucrânia demonstraram seu apoio à ex-república soviética, que desde 2014 tenta se integrar à Otan e à União Europeia. 

Os Estados Unidos e os europeus alertaram Moscou contra qualquer ataque, enquanto as forças americanas na Europa aumentaram seu nível de alerta. 

No mais recente sinal de apoio até agora, o secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, solicitou nesta terça-feira que a Rússia retire seu reforço militar "injustificado" das fronteiras com a Ucrânia.

A Ucrânia, no entanto, pede ao Ocidente que forneça mais apoio "prático" além das palavras. O presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, pediu para acelerar a adesão de seu país à OTAN.

Por que agora?

Os especialistas apresentam vários possíveis motivos para esta escalada.

Vários observadores acreditam que tanto Moscou quanto Kiev estão testando o novo presidente americano, Joe Biden, para constatar o quão disposto ele está a ajudar a Ucrânia e desafiar o Kremlin. 

Outros analistas avaliam que a Rússia quer enviar uma mensagem à Ucrânia, que impôs recentemente sanções a um de seus deputados pró-russos, Viktor Medvedshuk, próximo a Vladimir Putin, e censurou três canais de televisão vinculados a ele.

Já outros pensam que o Kremlin quer provocar um impulso patriótico entre os russos antes das eleições legislativas de setembro. O principal opositor russo, Alexei Navalni, está preso, mas o partido oficial Rússia Unida é muito impopular.

Até a guerra?

Os especialistas concordam que, por enquanto, é pouco provável uma invasão russa na Ucrânia, apesar das tensões particularmente fortes. 

"Existe um novo mínimo nas relações entre Rússia e a Otan, o pior momento desde o fim da Guerra Fria", considera Kashin. 

"A retórica de Moscou é extraordinária, não a vemos tão intensa desde 2014 e da anexação da Crimeia", aponta Timothy Ash, analista residente em Londres. 

Apesar de as negociações de paz poderem constituir uma solução, os esforços de mediação de França e Alemanha geraram poucos avanços nos últimos anos. 

Tampouco há previsão de novas negociações: Zelenski afirmou ter enviado no final de março um convite para se reunir com Putin, mas não obteve resposta. /AFP

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