Stephen Crowley/NYT
Stephen Crowley/NYT

Obama diz que protestos refletem 'mudança de mentalidade' nos EUA

Em pronunciamento por videoconferência organizado por sua fundação, primeiro presidente negro dos Estados Unidos falou em 'reconhecimento de que podemos fazer as coisas melhor'

Redação, O Estado de S.Paulo

03 de junho de 2020 | 22h46

WASHINGTON - O ex-presidente dos Estados Unidos Barack Obama incentivou nesta quarta-feira, 3, os jovens que lideraram protestos contra a violência contra negros a continuarem a realizá-los para garantir que tragam mudanças, e disse que o movimento reflete uma "mudança de mentalidade" sem precedentes na história do país.

Em pronunciamento por videoconferência organizado por sua fundação, o primeiro presidente negro dos Estados Unidos disse não concordar inteiramente com as comparações dos protestos atuais aos que se seguiram ao assassinato de Martin Luther King em 1968, porque "há algo diferente" nos atuais.

"Você olha para estes protestos (de agora) e vê uma amostra muito mais representativa da diversidade dos EUA nas ruas protestando pacificamente, que se sentiram chamados a fazer algo. Isso não existia na década de 1960, essa coalizão muito ampla", comentou.

O ex-presidente disse ainda que "embora alguns protestos tenham sido manchados pelas ações de uma minoria que se envolveu em violência, a maioria dos americanos ainda acredita que os protestos são justificados", algo que, segundo ele, "não teria acontecido há 40 ou 50 anos".

"Está acontecendo uma mudança de mentalidade, um maior reconhecimento de que podemos fazer as coisas melhor", ressaltou.

Obama evitou criticar diretamente a forma como o presidente Donald Trump lidou com os protestos e se concentrou em enviar uma mensagem de esperança aos indignados pela morte de George Floyd e de outros negros americanos que sofreram violência policial nos últimos anos.

"Espero que (os jovens) sintam esperança, ao mesmo tempo que estão indignados, porque eles têm o poder de mudar as coisas. Passaram um senso de urgência que está entre as coisas mais poderosas e transformadoras que já vi", afirmou.

"Só posso agradecer a eles por nos ajudarem a chegar a este momento", acrescentou Obama.

O ex-presidente pediu que os manifestantes continuem pressionando para "garantir que sejam dados passos" em direção à mudança, pois o que acontece com frequência com os protestos é que "chega um ponto em que a atenção se perde", ou alguns grupos começam a encolher.

Obama lembrou que muitas das grandes mudanças históricas no país ocorreram "por causa da juventude", e que tanto Luther King quanto César Chávez e Malcolm X eram jovens quando saíram às ruas, assim como as lideranças do movimento feminista ou do movimento de direitos das pessoas LGBT.

"Às vezes, quando me sinto sem esperança, olho para o que está acontecendo entre os jovens, e isso me faz sentir otimista, me dá a sensação de que esse país vai melhorar", comentou.

O ex-presidente americano disse que "não se pode erradicar 400 anos de racismo de uma só vez", e por isso pode não ser realista esperar "mudanças radicais", mas apontou que os protestos têm sido "uma oportunidade incrível para muitas pessoas acordarem" para as desigualdades que afetam muitos negros e latinos no país.

Obama disse que as vidas de jovens negros e latinos são importantes e agradeceu aos policiais que se solidarizaram com os manifestantes pacíficos, além de destacar que "a mudança vai precisar da participação de todos". /EFE

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