Peter Nicholls / Reuters
Peter Nicholls / Reuters

Os cenários possíveis para o Brexit após plano de May ser novamente rejeitado

Saída britânica da União Europeia sem acordo, antecipação das eleições no Reino Unido e até um novo referendo sobre o divórcio podem ocorrer agora

Redação, O Estado de S.Paulo

29 de março de 2019 | 19h29

LONDRES - O plano da primeira-ministra britânica, Theresa May, está praticamente morto após a terceira negativa do Parlamento em aprová-lo nesta sexta-feira, 29. Agora, o cenário que mais se torna possível é um Brexit sem acordo no dia 12 de abril. Para mudar isso, o Reino Unido precisa apresentar alternativas até esta data.

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O que pode ocorrer a partir de agora?

Brexit sem acordo

A UE deu o prazo de 12 de abril para o Reino Unido decidir se deseja pedir outro adiamento para o Brexit. O bloco terá uma reunião de emergência no dia 10 de abril para lidar com o pedido britânico ou se preparar para um Brexit sem acordo. 

Sem um adiamento, o Reino Unido deixará a UE às 23 horas (horário local) do dia 12 de abril sem um acordo, ou seja, ocorrerá o que é chamado de Brexit duro. A maioria dos políticos, economistas e grupos empresariais acredita que esse cenário seria desastroso, prejudicando questões tarifárias e levantando barreiras entre o Reino Unido e seus maiores parceiros comerciais na Europa.

Repetidamente, o Parlamento britânico votou contra uma saída da UE sem acordo, mas esse cenário continua sendo uma opção a não ser que os deputados aprovem o acordo proposto por May, cancelem o Brexit ou tenham um novo prazo cedido pela UE.

Adiamento do prazo

A alternativa é adiar o Brexit por alguns meses, pelo menos para que a confusão política no Reino Unido diminua. A UE é relutante em permitir que o Reino Unido de saída do bloco participe das eleições do Parlamento Europeu no fim de maio, o que ocorrerá se o Brexit for adiado. Mas, o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, pediu que o bloco conceda o adiamento se isso resultar em um Brexit mais brando, em que a UE e o Reino Unido mantenham ligações comerciais mais próximas. 

Nova eleição

A eleição nacional no Reino Unido está prevista para 2020, mas o impasse no Parlamento britânico torna a possibilidade de antecipação dessa data mais concreta. Políticos da oposição acreditam que a única forma de dar andamento ao Brexit é antecipar a eleição nacional, reorganizar o Parlamento e mudar o cenário político atual. Para isso, eles podem tentar derrubar o governo com um voto de não confiança, resultando na convocação de eleições antecipadas. 

Ou o próprio governo pode convocar a antecipação da eleição se achar que não tem nada a perder com isso. May prometeu renunciar caso seu plano para o Brexit fosse aprovado. Mesmo sendo derrotada nesta sexta-feira, ela ainda enfrentará uma grande pressão para isso. 

Novo referendo

Outra opção considerada pelos deputados é colocar qualquer acordo sob a dependência de um "referendo confirmatório". A ideia teve apoio significante de partidos opositores e até de alguns integrantes do Partido Conservador. 

O governo vinha evitando falar em um novo referendo sobre a saída britânica da UE, mas pode mudar de ideia se perceber que não há outra maneira de aprovar um acordo para o Brexit. Em 2016, os britânicos votaram por deixar a UE por 52% a 48%. Desde então, as pesquisas sugerem que a opção "ficar na UE" vem ganhando mais força. Não está claro, no entanto, o que venceria um novo referendo e a alternativa poderia deixar os britânicos ainda mais divididos sobre a Europa. / AP 

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