Oded Balilty/Pool via REUTERS
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Os próximos passos de Israel após a queda de Netanyahu

Premiê mais longevo do país está prestes a ser derrubado por uma coalizão improvável de partidos

Redação, O Estado de S.Paulo

02 de junho de 2021 | 20h00

TEL AVIV - Binyamin Netanyahu, o primeiro-ministro mais longevo de Israel, está prestes a ser destituído do poder após mais de uma década no cargo.

De direita, o político de 71 anos pode ser derrubado por uma coalizão improvável de partidos, que fecharam um acordo para formar um governo para quebrar o longo período de impasse político que o país vive.

Quem são os novos líderes?

Naftali Bennett, 49, dirige o partido ultranacionalista Yamina - "Direita". O partido religioso pró-colono conquistou apenas sete das 120 cadeiras do Knesset na eleição de 23 de março, mas Bennett emergiu como figura central no cenário político israelense. Milionário do setor de alta tecnologia que sonha em anexar a maior parte da Cisjordânia ocupada, Bennett passou parte de sua infância na América do Norte. Ele pode enfrentar gritos de traição por formar um governo com parceiros de centro-esquerda.

Yair Lapid, 57, e seu partido de centro-esquerda Yesh Atid - "Há um Futuro" - ficaram em segundo lugar nas eleições passadas, conquistando 17 cadeiras. O ex-ministro das finanças e apresentador de TV fez campanha para "trazer sanidade" de volta à Israel. Mas a coalizão com Bennett provavelmente será instável.

GIDEON SAAR, 54, ex-membro do Likud de Netanyahu, que deixou o partido para fundar a legenda Nova Esperança. 

Este é o fim da era Netanyahu?

Ainda não. Não se espera que o novo governo tome posse nos próximos 10 dias, período durante o qual Netanyahu continua sendo o primeiro-ministro à frente de um governo interino. Ele provavelmente usará esse tempo para persuadir os rivais a desertar.

O que deu errado para Bibi?

Seus partidários amam o homem que chamam de "Rei Bibi" - admirando sua postura agressiva em questões envolvendo o Irã e os palestinos, e sua importância no cenário internacional. Mas os críticos o acusam de ser uma figura polarizadora. Eles também destacam as alegações de corrupção que levaram ao apelido "Ministro do Crime".

Netanyahu está sendo julgado por acusações de suborno, fraude e quebra de confiança. Ele nega qualquer irregularidade. Apesar de ser um astuto operador político, seu talento para negociação o abandonou.

O sucesso da vacinação não foi suficiente para mantê-lo no poder?

Nas últimas eleições, Netanyahu afirmou ter transformado Israel na "nação da vacinação", liderando o mundo na recuperação da pandemia. Enquanto as cédulas eram contadas, 50% da população já havia sido imunizada. Mas tal é a polarização na política israelense que mesmo isso não poderia quebrar o impasse. Netanyahu também foi acusado de administrar mal os bloqueios de pandemia, que atingiram duramente a economia de Israel.

Bibi voltará?

Sim. Um quarto do eleitorado votou em seu partido, o Likud, que continua dominando 30 dos 120 assentos no Knesset. E ele será o líder natural da oposição. Este é um território familiar - em meados da década de 1990, ele tornou a vida muito desconfortável para o então primeiro-ministro Yitzhak Rabin. /REUTERS

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