Jean-Francois Badias/AP
Jean-Francois Badias/AP

Países da UE apoiam prorrogação do Brexit, mas não decidem duração

O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, havia recomendado que os líderes dos 27 países da UE adiassem a saída para até 31 de janeiro; uma nova reunião será realizada na sexta-feira

Redação, O Estado de S.Paulo

23 de outubro de 2019 | 16h07

BRUXELAS - Os sócios europeus do Reino Unido na União Europeia aprovaram nesta quarta-feira, 23, uma extensão do prazo para o Brexit e assim evitar um divórcio sem acordo em 31 de outubro, mas não chegaram a um acordo sobre a duração do adiamento solicitado, com relutância, pelo primeiro-ministro britânico, Boris Johnson

Os embaixadores na União Europeia dos demais 27 países apresentaram a posição de cada capital durante uma reunião em Bruxelas, e "todos concordaram com a necessidade de uma extensão para evitar o Brexit sem acordo", disse uma fonte europeia ao término da reunião. "A duração de uma extensão ainda está em discussão", acrescentou a fonte. Uma nova reunião está agendada para esta sexta-feira.

O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, havia recomendado que os líderes dos 27 países da UE adiassem o Brexit até 31 de janeiro, data que parece ser aceita pelo primeiro-ministro irlandês, Leo Varadkar.

Durante uma conversa por telefone nesta quarta, Tusk e Varadkar "indicaram que o Reino Unido poderá partir antes de 31 de janeiro de 2020, se o acordo de retirada for ratificado antes dessa data", anunciou o governo irlandês. 

"Essa extensão permitirá que o Reino Unido esclareça sua posição e o Parlamento Europeu (que ratificará o acordo do Brexit depois que o Parlamento britânico o fizer) desempenhará seu papel", disse o presidente da instituição, David Sassoli.

A decisão de prorrogar o prazo deve ser unânime e, "se houver diferenças" entre os 27, os líderes poderão confirmar durante uma nova cúpula de líderes em 28 de outubro para fechar uma data.

Dias, semanas, meses

As diferenças começam a aparecer. A França, por meio de sua secretária de Estado para os Assuntos Europeus, Amélie de Montchalin, falou na terça-feira de sua disponibilidade para um "adiamento técnico" da data do Brexit, mas de apenas "alguns dias". 

A Alemanha não se oporá ao adiamento da data do Brexit, segundo a porta-voz da chanceler Angela Merkel, após o chamado do presidente do Conselho Europeu para aceitar tal medida. 

O ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Heiko Maas, já havia defendido o adiamento por duas ou três semanas, se isso permitir que deputados britânicos, que na segunda-feira apoiaram o acordo assinado quatro dias antes por Johnson, ratifiquem a lei. 

"Se é para adiar o Brexit até o fim de janeiro, precisamos saber o motivo, o que acontecerá nesse meio tempo e se haverá eleições no Reino Unido", disse Maas em declarações à televisão alemã RTL. 

As dúvidas na UE estão focadas precisamente nos planos de Johnson, determinado a deixar seu país fora do bloco em 31 de outubro. Na terça-feira, porém, ele não obteve o apoio do Parlamento para um processo acelerado da ratificação, que garantira a saída dentro do prazo. 

Após essa caótica sessão parlamentar, o primeiro-ministro britânico suspendeu o processo legislativo enquanto aguardava a decisão da UE

No poder por menos de três meses, Johnson também tenta convocar eleições legislativas antecipadas, já que em setembro ele perdeu a maioria no Parlamento britânico, algo que a oposição está impedindo no momento. 

Uma terceira extensão do Brexit - que foi apoiado por 52% dos votos no plebiscito de 2016 e inicialmente programado para acontecer em março - deve permitir que as eleições ocorram, além de prolongar um processo que parece interminável. /AFP


 

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