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Andre Pichette/EFE/EPA
Andre Pichette/EFE/EPA

Países ricos limpam estoques e deixam pobres sem vacina

Algumas nações periféricas garantiram doses só para 20% da população, mas outras poderiam vacinar até 6 vezes seus habitantes

Redação, O Estado de S.Paulo

15 de dezembro de 2020 | 20h48

 

WASHINGTON - Os países ricos já garantiram até agora mais da metade das doses das vacinas que estão em testes clínicos e chegarão ao mercado até o fim do ano que vem. A diferença na corrida pela imunização fará com que algumas nações mais pobres só consigam vacinar 20% da sua população, enquanto as mais ricas teriam estoque suficiente para vacinar seus habitantes várias vezes.

Sem nenhuma garantia de que alguma vacina específica seria aprovada, as nações mais ricas lançaram suas apostas em uma série de candidatas. No entanto, se todas as doses que eles reivindicaram forem administradas, a União Europeia poderia vacinar seus cidadãos duas vezes, o Reino Unido e os EUA poderiam fazê-lo quatro vezes e o Canadá seis vezes, de acordo com análise do New York Times feita com base em contratos coletados pela Universidade Duke, Unicef e Airfinity, uma empresa de análise científica. 

Em razão dos limites de fabricação, muitos países de baixa renda podem levar até 2024 para obter vacinas suficientes para imunizar totalmente suas populações. “Os países de alta renda chegaram à frente na fila e esvaziaram as prateleiras”, disse Andrea Taylor, pesquisadora de Duke, que estuda os contratos. 

Os EUA investiram bilhões de dólares para apoiar a pesquisa, o desenvolvimento e a fabricação de cinco vacinas muito promissoras, impulsionando o desenvolvimento a uma velocidade e escala que, de outra forma, seriam impossíveis. Esse apoio, porém, era atrelado a uma condição: que os americanos tivessem acesso prioritário às doses fabricadas em seu território. Outras nações ricas se juntaram aos EUA para fazer grandes encomendas, muitas vezes com opções para aumentar as negociações e adquirir ainda mais. A estratégia minou a capacidade de muitos países de fazer compras em quantidades suficientes.

Os EUA garantiram 100 milhões de doses da Pfizer, com a opção de comprar mais 500 milhões, e 200 milhões da Moderna, com mais 300 milhões à disposição. O país também encomendou previamente 810 milhões de doses da AstraZeneca, Johnson & Johnson, Novavax e Sanofi combinadas – a ampliação das negociações pode elevar esse número para 1,5 bilhão.

O Reino Unido conseguiu 357 milhões de doses de todas essas empresas e também da Valneva, um pequeno laboratório que pode oferecer mais 152 milhões de doses. A UE garantiu 1,3 bilhão da maioria das vacinas das mesmas empresas e também da alemã CureVac. Com isso, pode conseguir outras 660 milhões de doses, se quiser.

Exceções

Para lidar com a desigualdade das vacinas, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e duas organizações sem fins lucrativos apoiadas por Bill Gates lançaram um esforço para garantir um bilhão de doses para 92 países. “O pior cenário possível é você oferecer vacinas para a população de um país inteiro antes de podermos ofertá-la às populações de maior risco em outros países”, disse Bruce Aylward, conselheiro da OMS que trabalha na iniciativa global de vacinas.

Alguns especialistas preveem que demorará até 2024 para que haja doses para todos. Outros, pensam que quanto mais pessoas adoecerem e conquistarem imunidade natural, a necessidade diminuirá e o fornecimento já seria adequado no final de 2022. / NYT, TRADUÇÃO DE ROMINA CÁCIA

 

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