Dan Balilty/AP
Dan Balilty/AP

Origem do conflito entre israelenses e palestinos remonta ao século 19

Conheça um pouco sobre a história do conflito entre israelenses e palestinos, cujo novo capítulo de confronto já deixou mortos de ambos os lados

Redação, O Estado de S.Paulo

11 de maio de 2021 | 18h14
Atualizado 20 de maio de 2021 | 17h13

JERUSALÉM - Israelenses e palestinos vivem um novo capítulo de violência em sua longa história de conflito. Os confrontos, especialmente violentos na Jerusalém Oriental ocupada, provocaram o lançamento de centenas de foguetes da Faixa de Gaza em direção ao território israelense, e represálias de Israel, deixando mortos dos dois lados. Após 11 dias de conflitos, Israel e o Hamas concordaram com um cessar-fogo em 20 de maio. Conheça um pouco sobre a história do conflito palestino-israelense:  

Quais as origens do conflito entre israelenses e palestinos?

Por motivos históricos, religiosos e políticos, israelenses e palestinos vivem em disputa contínua pela soberania da região da Palestina. Na história moderna do conflito, que se insere no contexto maior das disputas entre árabes e israelenses, ele remonta ao século 19, quando o movimento sionista e o nacionalismo árabe começaram a ganhar forma.

Qual a importância da região para os dois povos?

Reivindicada por ambos os grupos, a Palestina - localizada entre o Rio Jordão e o Mar Mediterrâneo - é o cenário de muitas narrativas bíblicas, sendo apontada como o local onde teria florescido a antiga monarquia hebraica, posteriormente desmembrada nos reinos de Israel e Judá. É também o berço de muitas outras civilizações semíticas, muitas das quais coexistiram com os povos hebreus ou os que os precederam.

O que pregava o movimento sionista?

Em 1897, em grande parte por causa da intensificação do antissemitismo europeu, foi fundado o movimento sionista. Esse movimento pregava um retorno dos judeus à Palestina, além do estabelecimento de um Estado nacional judeu na região. Organizações sionistas internacionais logo começaram a patrocinar a migração de judeus para a Palestina. A aquisição de terras por parte de imigrantes judeus foi vista com hostilidade por líderes árabes da região, que também passaram a lutar pela criação de um Estado árabe.

Qual era o contexto histórico?

Entre 1920 e 1948, após a derrota do Império Otomano durante a 1ª Guerra, o território da Palestina esteve sob controle do Reino Unido, que já havia declarado sua intenção de favorecer a criação de um Estado judaico na região por meio da Declaração de Balfour, de 1917.

Quando nasce o Estado de Israel?

Após a 2ª Guerra e o Holocausto, cresceu a pressão pela criação de um Estado judeu. Em 1947, a Assembleia-Geral das Nações Unidas aprovou um plano de partilha da Palestina, criando um Estado judeu e um Estado palestino. O acordo não foi aceito por palestinos e lideranças árabes, que iniciaram uma campanha militar contra o recém-fundado Estado de Israel. A guerra árabe-israelense de 1948 culminou com a derrota dos Exércitos da Síria, da Jordânia, do Iraque e do Egito e com a expansão das fronteiras israelenses para além do que fora estipulado pela ONU.

O que foi a Guerra dos Seis Dias?

Em 1967, na Guerra dos Seis Dias, judeus e árabes entraram novamente em confronto, tendo Israel conquistado o território da Península do Sinai, a Faixa de Gaza, a Cisjordânia, Jerusalém Oriental e as Colinas do Golan. Quase todo o território palestino passou para as mãos de israelenses. Em 1973, árabes atacam Israel no dia do Yom Kippur, mas são novamente derrotados. Com a mediação dos EUA, Israel e Egito assinam em 1978 um acordo de paz - foi o primeiro país árabe a chegar à paz com Israel (Jordânia estabeleceu seu acordo com seus israelenses em 1994). O Sinai é devolvido aos egípcios, que mantêm a zona desmilitarizada para garantir a segurança dos israelenses.

Quando começa a Intifada?

Entre 1987 e 1993, palestinos se sublevaram contra o Estado de Israel em uma série de protestos violentos caracterizados pelo uso de armas simples, como pedras e paus, episódio que ficou conhecido como Intifada.  Em 1993, em Oslo, Israel se comprometeu a devolver os territórios ocupados durante a Guerra dos Seis Dias em troca de acordos de paz definitivos com as lideranças árabes, representadas pela Organização para Libertação da Palestina (OLP). Em 1998, foi assinado o acordo de Wye Plantation, por meio do qual os israelense entregaram aos palestinos várias áreas ocupadas.

Qual o contexto da Segunda Intifada?

Em julho de 2000, em Camp David (EUA), o líder palestino Yasser Arafat e o então premiê israelense, Ehud Barak, se reuniram para fazer um acordo com o objetivo de resolver questões mais delicadas, mas não tiveram sucesso. Em setembro do mesmo ano, teve início uma nova rebelião popular palestina contra Israel, a chamada Segunda Intifada, depois que o então líder da oposição Ariel Sharon invadiu a Mesquita de Al-Aqsa escoltado por policiais e soldados israelenses. A partir de 2002, intensificaram-se os atentados terroristas e ataques suicidas organizados por grupos extremistas contra Israel. Como consequência, os israelenses invadiram áreas palestinas autônomas e cercaram o quartel-general da OLP em Ramallah, onde Arafat permaneceu até sua morte, em 2004.

Quando ocorre a devolução de Gaza?

Em 2005, Israel, por iniciativa do então premiê, Ariel Sharon, coordenou um amplo plano de retirada de assentamentos judaicos da região de Gaza. Mas as Nações Unidas e diversas organizações internacionais continuam a considerar Israel uma potência ocupante de Gaza, por causa do isolamento imposto à pequena faixa de terra litorânea.

Como o Hamas chegou ao poder?

Em janeiro de 2006, o grupo radical islâmico Hamas venceu as eleições em Gaza, mas americanos e israelenses não reconheceram o resultado por considerarem o grupo terrorista. O Hamas e a Fatah, organização palestina moderada, deveriam governar juntos os dois territórios - Gaza e Cisjordânia -, mas suas disputas internas se intensificaram e eles acabaram rompendo em junho de 2007. O Hamas passa a controlar Gaza e a Fatah, a Cisjordânia. No mesmo ano, o Hamas passa a usar a estratégia de atacar Israel com mísseis, desde Gaza.

Desde então, a região assiste a uma leva de atentados terroristas promovidos pelo Hamas e organizações extremistas menores e à escalada da violência por parte das autoridades israelenses. O premiê Binyamin Netanyahu e o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas (sucessor de Arafat), se engajaram, sem sucesso, em negociações de paz sob a mediação de potências internacionais e de diferentes governos americanos.

Quais são as questões aparentemente irreconciliáveis entre os dois povos?

As últimas tentativas de se negociar a paz entre eles esbarraram em quatro questões fundamentais. A primeira delas é sobre a cidade de Jerusalém, que Israel reivindica e afirma ser sua capital indivisível, após ocupar Jerusalém Oriental em 1967, o que não é reconhecido pela comunidade internacional. Os palestinos, por sua vez, reivindicam Jerusalém Oriental como a capital de seu futuro Estado.

As divergências se dão também em torno das fronteiras. Os palestinos exigem que seu futuro Estado obedeça às fronteiras anteriores a 1967, antes da Guerra dos Seis Dias, incluindo Jerusalém Oriental, o que Israel rejeita. Os assentamentos construídos pelo governo israelense nos territórios ocupados após 1967 são considerados ilegais sob a lei internacional e se impõem como outra questão grave nas negociações, ao lado da situação dos refugiados palestinos, que reivindicam o direito de voltar ao que hoje é Israel. Mas, na visão de Israel, aceitar esse retorno destruiria sua identidade como um Estado judeu.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.