Eric BARADAT / AFP
Eric BARADAT / AFP

Perguntas e respostas: O tratado nuclear entre EUA e Rússia

Veja quais as implicações da decisão americana de deixar o tratado de mísseis de médio alcance com a Rússia

Redação, O Estado de S.Paulo

01 Fevereiro 2019 | 17h06

Os Estados Unidos anunciaram nesta sexta-feira, 1º, sua retirada do Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário (INF) com a Rússia sobre as armas nucleares de alcance intermediário, um marco da Guerra Fria, acusando Moscou de não cumpri-lo. Entenda o que é o tratado e o que pode acontecer agora. 

O que é o tratado INF?

O pacto foi assinado em dezembro de 1987 pelo presidente Ronald Reagan e o líder soviético Mikhail Gorbachev. Proibiu os Estados Unidos e a União Soviética de possuir e testar mísseis balítiscos de médio alcance (de 500 km a 5,5 mil km)

Pelo tratado, Washington e Moscou destruíram 846 e 1846 mísseis respectivamente. Dado seu alcance limitado, eles eram tratados como uma ameaça de guerra nuclear na Euripa. Além disso, pelo tempo curto de voo e padrão difícil de detectar, eram mais sucetíveis a acidentes. 

A Rússia violou o tratado?

O Departamento de Estado acusou a Rússia de violar o tratado pela primeira vez em 2014. Desde então, autoridades americanas identificaram o míssil 9m729 como potencialmente problemático. Em 2017, ainda segundo os americanos, o míssil se tornou operacional. A Rússia nega ter violado o tratado e diz ter uma lista das violações cometidas pelos americanos. 

Quais as implicações militares de uma saída do tratado?

Ainda não é claro quais mísseis de médio alcance os Estados Unidos poderiam empregar a médio prazo. Esse tipo de armamento não era desenvolvido desde o início do tratado e pesquisas para se adequar ao 9M729 são recentes. Já a Rússia está mais avançada e poderia desenvolver essas armas com mais rapidez.

Quais as implicações diplomáticas?

Uma retirada do tratado deve provocar controvérsias entre os Estados Unidos e aliados europeus, num momento em que a relação está desgastada. Há pouco clima para uma corrida armamentista na Europa e não é provável que países da Otan aceitam abrigar mísseis americanos. A Alemanha, por exemplo, chamou a ideia de Trump de abandonar o pacto de “deplorável”. 

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