Eric BARADAT / AFP
Eric BARADAT / AFP

Perguntas e respostas: O tratado nuclear entre EUA e Rússia

Veja quais as implicações da decisão de americanos e russos deixarem o tratado de mísseis de médio alcance

Redação, O Estado de S.Paulo

01 de fevereiro de 2019 | 17h06
Atualizado 02 de agosto de 2019 | 14h37

Os Estados Unidos anunciaram em fevereiro sua retirada do Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário (INF) com a Rússia sobre as armas nucleares de alcance intermediário, um marco da Guerra Fria, acusando Moscou de não cumpri-lo.

Nesta sexta-feira, 2, tanto Moscou quanto Washington confirmaram o fim do acordo, o que fez ressurgir o temor de uma corrida armamentista entre as potencias mundiais.

Entenda o que é o tratado e o que pode acontecer. 

• O que é o tratado INF?

O Tratado de Forças Nucleares Intermediárias (INF, na sigla em inglês) foi assinado em dezembro de 1987 pelo presidente americano Ronald Reagan e pelo líder soviético Mikhail Gorbachev. Foi um dos grandes tratados de desarmamento precursores do fim da Guerra Fria.

• Foi o primeiro acordo de americanos e soviéticos?

Não. Acordos já haviam sido concluídos - como em 1972, com o SALT I, e em 1979, com o SALT II - para limitar o número de novos lançadores de mísseis balísticos. Com o Tratado INF, porém, as duas potências se comprometeram, pela primeira vez, a destruir uma classe inteira de mísseis nucleares.

Os mísseis com alcance entre 500 km e 5.500 km deveriam ser destruídos em três anos. Ao todo, 2.692 mísseis foram destruídos antes de 1991 (846 pelos EUA e 1846 pela URSS), ou seja, a quase totalidade dos mísseis nucleares de alcance intermediário, e pouco mais de 4% do arsenal nuclear total de ambos os países em 1987.

• Qual a diferença do INF para os tratados anteriores?

Uma das inovações do Tratado INF foi a adoção de procedimentos de verificação das destruições por parte de inspetores do outro país.

Entre os mísseis americanos destinados à destruição pelo tratado, estavam os célebres Pershing 1A e Pershing II, no centro da crise dos euromísseis durante a década de 1980.

Essa crise, que se seguiu à mobilização pela União Soviética de mísseis nucleares SS-20 voltados para as capitais europeias, viu a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) responder, com mísseis Pershing na Europa, na direção da URSS.

• A Rússia violou o tratado?

O Departamento de Estado dos EUA acusou a Rússia de violar o tratado pela primeira vez em 2014. Desde então, autoridades americanas identificaram o míssil Novator 9M729 - conhecido pela Otan como SSC-8 -como potencialmente problemático. 

Em 2017, ainda segundo os americanos, o míssil se tornou operacional. A Rússia nega ter violado o tratado e diz ter uma lista das violações cometidas pelos americanos. 

• Quais as implicações militares da saída do tratado?

Ainda não é claro quais mísseis de médio alcance os Estados Unidos poderiam empregar a médio prazo. Esse tipo de armamento não era desenvolvido desde o início do tratado e pesquisas para se adequar ao 9M729 são recentes. Já a Rússia está mais avançada e poderia desenvolver essas armas com mais rapidez.

• Quais as implicações diplomáticas?

O fim do acordo deve provocar controvérsias entre os Estados Unidos e aliados europeus, num momento em que a relação está desgastada. 

Há pouco clima para uma corrida armamentista na Europa e não é provável que países da Otan aceitam abrigar mísseis americanos. A Alemanha, por exemplo, chamou a ideia de Trump de abandonar o pacto de “deplorável”. / COM AFP

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