Claudio Cruz/AFP
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Pesquisadores ligados ao MIT, nos EUA, afirmam que não há indícios de fraude em eleições bolivianas

John Curiel e Jack Williams publicaram relatório que contradiz a denúncia da Organização dos Estados Americanos que desencadeou na renúncia de Evo Morales

Redação, O Estado de S.Paulo

28 de fevereiro de 2020 | 20h49

WASHINGTON - Dois pesquisadores norte-americanos questionaram a fraude eleitoral encontrada pelos observadores da Organização de Estados Americanos (OEA) na Bolívia, que levou à renúncia do então reeleito presidente Evo Morales e à convocação de novas eleições.

O relatório de John Curiel e Jack Williams, encomendado pelo Centro de Pesquisa Econômica e Política (CEPR), com sede em Washington, e publicado na quinta-feira no jornal The Washington Post, fez com que governo mexicano, que deu asilo a Morales depois que ele deixou o poder, solicitasse esclarecimentos à Secretaria-Geral da OEA.

Curiel e Williams explicaram suas descobertas em um artigo intitulado "A Bolívia rejeitou suas eleições de outubro por fraude. Nossa investigação não encontrou motivos para suspeitar de fraude". 

"Como especialistas em integridade eleitoral, descobrimos que as evidências estatísticas não apoiam a alegação de fraude nas eleições de outubro na Bolívia", afirmaram.

Essas declarações contradizem o relatório da missão eleitoral da OEA, que concluiu que houve "manipulação maliciosa" nas eleições gerais de 20 de outubro e indicou a impossibilidade de validar os resultados. 

A auditoria da OEA desencadeou a renúncia de Morales em 10 de novembro, em meio a uma convulsão social, seu asilo no México e depois na Argentina, além da anulação das eleições, remarcadas posteriormente para 3 de maio sem a participação do ex-presidente.

Em uma carta enviada aos editores do The Washington Post nesta sexta-feira, o chefe de gabinete da Secretaria-Geral da OEA, Gonzalo Koncke, disse que o artigo de Curiel e Williams "contém várias falsidades, imprecisões e omissões" e destacou que os resultados da missão do organismo regional "demonstra inequivocamente que houve 'manipulação intencional' das eleições". 

"A OEA continua apoiando seu trabalho e continuará a alertar sobre todos os esforços, como este, para manipular a opinião pública", afirmou. 

Na sexta-feira, o Ministério das Relações Exteriores do México divulgou uma carta enviada por sua missão permanente à OEA à Secretaria-Geral chefiada por Luis Almagro, agradecendo "amplamente" o esclarecimento "escrito" das discrepâncias entre os dois relatórios.

Pedido do México

Além disso, foi pedido que "se solicite a pesquisadores especializados independentes a elaboração de uma análise comparativa das conclusões" de ambos os relatórios.

A mensagem apresenta a análise de Curiel e Williams como uma investigação do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), mas o estudo não foi feito pela prestigiosa universidade americana. 

Curiel e Williams foram contratados em dezembro pelo CEPR para que verificassem de forma "independente" uma pesquisa de novembro desse grupo de estudos progressistas.

Ao revelar na quinta-feira a análise de Curiel e Williams, o CEPR esclareceu que "qualquer análise e interpretação das descobertas nesse relatório expressam unicamente os pontos de vista dos autores, investigadores do laboratório eleitoral do MIT".

"Não conseguimos encontrar resultados que nos levem à mesma conclusão que a OEA. Acreditamos que é muito provável que Morales tenha obtido a margem de 10 pontos percentuais necessários para vencer no primeiro turno das eleições em 20 de outubro de 2019", disseram os pesquisadores na análise publicada no site do CEPR.

O CEPR havia apresentado em novembro um relatório apontando para a ausência de irregularidades nas eleições bolivianas das quais Morales saiu vitorioso. /AFP

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