Doug Mills/The New York Times
Doug Mills/The New York Times

Procurador intima empresas de Trump e exige documentos sobre a Rússia

Segundo jornal The New York Times, pedido foi entregue a algumas semanas; é a primeira vez que Mueller intima oficialmente uma empresa do grupo empresarial de Donald Trump.

O Estado de S.Paulo

15 Março 2018 | 15h39

O procurador especial Robert Mueller intimou as Organizações Trump, o conglomerado de empresas do presidente americano Donald Trump, a entregar uma série de documentos, incluindo papéis ligados a Rússia, informou nesta quinta-feira, 15, o jornal The New York Times. 

Robert Mueller é o responsável pela investigação da interferência russa na eleição presidencial americana. Segundo a reportagem, o pedido foi entregue a algumas semanas e exige que as Organizações Trump entreguem todos os documentos ligados a Rússia e a outros assuntos da investigação, sem especificar quais seriam.

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É a primeira vez que Mueller intima oficialmente uma empresa do grupo empresarial de Donald Trump. Com isso, a investigação se aproxima do presidente americano. 

Não está claro porque Mueller intimou as Organizações Trump em vez de simplesmente pedir os documentos da empresa. Na intimação, entregue nas últimas semanas, Mueller ordenou à Organização Trump que entregue todos os documentos relacionados à Rússia e outros assuntos que ele está investigando.

A intimação pode ser uma pista de que a investigação ainda pode continuar por vários meses. No começo do ano, advogados de Trump garantiram ao presidente americano que a investigação estaria no fim. 

Segundo o New York Times, Mueller parece estar ampliando sua investigação para examinar o papel que o dinheiro estrangeiro pode ter desempenhado no financiamento das atividades políticas de Trump. Nas últimas semanas, os investigadores de Mueller questionaram testemunhas, incluindo um conselheiro dos Emirados Árabes Unidos, sobre o fluxo de dinheiro da Emirati para os Estados Unidos.

As Organizações Trump tem colaborado com os investigadores do Congresso sobre documentos em investigações sobre a interferência da Rússia nas eleições dos EUA, e não havia indícios de que a empresa planejasse resistir aos pedidos de Mueller.

Detalhes ainda não são conhecidos, segundo o jornal, mas é a primeira vez que Mueller pede provas materiais diretamente relacionados aos negócios do presidente Donald Trump.

As Organizações Trump afirmaram no fim do ano passado que nunca tiveram negócios imobiliários na Rússia, mas testemunhas recentemente entrevistadas por Mueller foram questionadas sobre possíveis aquisições imobiliárias em Moscou. Em 2015, um ex-associado de Trump enviou por e-mail ao advogado do presidente, Michael Cohen, afirmando que ele tinha vínculos com o presidente Vladimir Putin. 

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No início de 2016, o conglomerado do então pré-candidato republicano planejava construir uma enorme Trump Tower em Moscou, revelou a imprensa ano passado. Como parte das discussões, um empresário do setor de imóveis, Felix Sater, pediu que Trump fosse à capital russa para promover a proposta e ainda sugeriu que ele poderia dizer “coisas boas” sobre o então candidato ao presidente russo, Vladimir Putin. 

Sater — que nasceu na Rússia e se mudou para o Brooklyn aos 8 anos, previu, em uma mensagem de novembro de 2015, que ele e os chefes da Organização Trump em breve estariam comemorando “um dos maiores projetos residenciais da história imobiliária e a eleição de Donald Trump como presidente”.

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No entanto, os detalhes do acordo, que não haviam sido divulgados até então, dão mais evidências de que o presidente americano buscava ampliar seus negócios na Rússia, ao mesmo tempo em que fazia campanha.

A nova etapa da investigação de Mueller poderia ultrapassar uma linha que o presidente o advertiu para não cruzar. Embora não esteja claro o quanto da intimação está relacionada aos negócios de Trump. Em julho, em uma entrevista ao The New York Times, Trump disse que o procurador especial “cruzaria uma linha vermelha” se começasse a investigar as finanças da família Trump para além de qualquer relacionamento com a Rússia. / NYT, AFP, AP E REUTERS 

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