EFE/EPA/RUSSIAN DEFENCE MINISTRY PRESS SERVICE
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Rússia diz que resposta dos EUA às suas demandas não oferece 'motivos para otimismo'

Porta-voz do Kremlin não discutiu conteúdo das respostas, mas disse que, com base em comentários públicos de Antony Blinken e Jens Stoltenberg, havia pouca probabilidade delas oferecerem concessões às demandas centrais da Rússia

Redação, O Estado de S.Paulo

27 de janeiro de 2022 | 12h00

O Kremlin alertou nesta quinta-feira, 27, que “não há muitos motivos para otimismo” de que o Ocidente satisfará as exigências da Rússia no confronto sobre a Ucrânia, mas disse que o presidente Vladimir Putin dedicará seu tempo para estudar as respostas escritas que os Estados Unidos e a Otan apresentaram um dia antes antes de decidir como proceder.

"Todos esses papéis estão com o presidente", disse o porta-voz de Putin, Dmitri Peskov, a repórteres. “É claro que será necessário algum tempo para analisá-los – não vamos nos apressar para tirar conclusões.”

Peskov não discutiu o conteúdo das respostas, que os Estados Unidos solicitaram que fossem mantidas em sigilo. Mas ele disse que, com base em comentários públicos sobre eles feitos pelo secretário de Estado americano, Antony Blinken, e Jens Stoltenberg, secretário-geral da Otan, havia pouca probabilidade de o ocidente oferecer concessões às demandas centrais da Rússia.

"Não há muito motivo para otimismo", disse Peskov, em resposta a uma pergunta sobre se a Rússia ficaria satisfeita com as respostas ocidentais. “Mas eu continuaria me abstendo de fazer qualquer avaliação conceitual.”

Os comentários de Peskov ocorreram em meio ao aumento das tensões entre Rússia, EUA e Otan provocado pelo acúmulo de tropas russas perto da Ucrânia, e horas depois de um atirador invadir e disparar tiros em uma fábrica de mísseis ucraniana durante a noite servir como lembrete da frágil situação militar na região. Não havia evidências de que o ataque estivesse relacionado ao aumento das tensões militares na região.

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O que começou como uma troca de acusações, em novembro do ano passado, evoluiu para uma crise internacional com mobilização de tropas e de esforços diplomáticos

À medida que aumentam os temores ocidentais sobre um possível ataque russo contra a Ucrânia, Moscou publicou uma lista de exigências no mês passado que envolveriam a retirada de tropas da Otan da Europa Oriental e o compromisso de nunca permitir a entrada da Ucrânia na aliança. A Rússia solicitou uma resposta por escrito, que os Estados Unidos e a Otan apresentaram na quarta-feira.

Putin, que está em silêncio público sobre a crise na Ucrânia desde dezembro, estava programado para visitar um cemitério em São Petersburgo na quinta-feira, que marca o 78º aniversário do fim do cerco nazista de Leningrado, no qual o irmão de Putin morreu, ainda criança. Peskov disse que o presidente não planejava nenhum outro evento público.

Os Estados Unidos dizem que mais de 100.000 soldados russos estão concentrados perto da fronteira da Ucrânia, preparados para atacar a qualquer momento. A Rússia nega ter planos de invadir a Ucrânia, mas meses de retórica ameaçadora do Kremlin levantaram preocupações de que Putin esteja preparado para usar meios militares para reverter a virada pró-ocidente da ex-república soviética.

Por enquanto, autoridades de todos os lados dizem que ainda há uma chance de a diplomacia resolver a crise.

Mas a Rússia deixou claro que o atual impasse militar não se restringe apenas à Ucrânia. O Kremlin está tentando reescrever a ordem da Europa pós-Guerra Fria para dar à Rússia uma esfera de influência na Europa Oriental – algo que Putin diz ser crítico para a segurança de longo prazo da Rússia. Putin ameaçou medidas "técnicas militares" não especificadas se o Ocidente não aceitar as exigências da Rússia.

Moscou continuou a ser tímida sobre quais poderiam ser essas medidas. Putin recentemente manteve ligações com os líderes da Nicarágua, Cuba e Venezuela, alimentando especulações de que a Rússia poderia enviar mísseis para a América Latina que reforçariam sua capacidade de ameaçar o território continental dos EUA.

Mas Dmitri Medvedev, vice-presidente do Conselho de Segurança de Putin, minimizou essa especulação em uma entrevista televisionada transmitida na quinta-feira que foi gravada antes que os Estados Unidos enviassem suas respostas por escrito.

"Ir na frente e dizer que queremos uma base lá ou que concordamos com algo seria absolutamente errado", disse Medvedev. “Isso estaria provocando tensões no mundo”./ NYT, W.POST

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