REUTERS/Maxim Shemetov
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Russos mergulham em águas geladas para celebrar Epifania ortodoxa; veja 

Embora a tradição que celebra o batismo de Jesus desperte grande entusiasmo, alguns dirigentes da Igreja Ortodoxa Russa apontam que não há nada de canônico nisso

Redação, O Estado de S.Paulo

19 de janeiro de 2019 | 15h11

MOSCOU - Milhares de russos mergulharam neste sábado, 19, em rios e lagoas congeladas, apesar das temperaturas de inverno de até -40°C em algumas regiões, por ocasião da Epifania celebrada nesta data pelos ortodoxos russos.

A polícia calcula que mais de 2,4 milhões de pessoas participaram durante as comemorações em todo o país. Mas não se sabia exatamente quantas pessoas decidiram tomar o banho até três vezes, seguindo a tradição.

As autoridades quebraram o gelo e às vezes instalaram degraus de madeira para facilitar o acesso aos fiéis, ávidos por imergirem nos rios e lagos congelados para comemorar o batismo de Jesus na Jordânia.

Os crentes ortodoxos russos consideram que neste dia a água sagrada tem propriedades milagrosas. Em um parque em Moscou, fiéis em trajes de banho se cruzaram na água tremendo de frio, diante dos olhos das forças de segurança.

"É ótimo, é a melhor das tradições russas", disse à France-Presse um habitante moscovita, Ievgueni Goloshchapov, com uma toalha no ombro.

Nos últimos anos, políticos e celebridades também mergulharam nas águas geladas, como o presidente Vladimir Putin no ano passado ou o embaixador dos Estados Unidos em Moscou, Jon Huntsman Jr. 

Em Yakutia, no Extremo Oriente da Rússia, a região mais fria do país, o governador mergulhou no Rio Lena, apesar da temperatura de -42°C, segundo seu gabinete.

Embora a tradição desperte grande entusiasmo, alguns dirigentes da Igreja Ortodoxa Russa apontam que não há nada de canônico nisso.

"Os ritos externos durante os grandes feriados religiosos tendem a se transformar em tradições nacionais e o significado original do feriado é esquecido", disse bispo Panteleimon, da Igreja Ortodoxa Russa. "Eu nunca tomei banho em um buraco no gelo", disse ele ao jornal Izvestia. / AFP 

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