Petr David Josek/AP Photo
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Segunda onda da pandemia na Europa leva hospitais a níveis críticos

Países de todo o continente enfrentam graves problemas com o aumento de hospitalizados; na Holanda, novos pacientes tiveram que ser transferidos de helicóptero para a Alemanha

Elian Peltier, Christopher F. Schuetze e Raphael Minder, New York Times

29 de outubro de 2020 | 13h26

Em toda a Europa, os hospitais estão enchendo em um ritmo alarmante que remonta às horas mais sombrias da primeira onda da pandemia no segundo trimestre do ano. As autoridades estão lutando para diminuir a propagação de um vírus que ameaça colocar os sistemas de saúde, já em dificuldades, à beira do colapso. Na Bélgica, todo o trabalho hospitalar não essencial foi adiado para lidar com a chegada de novos pacientes da covid-19, cujos números quase dobraram na semana passada, igualando os níveis vistos na primeira onda da pandemia na primavera.

A Croácia pediu a ex-médicos que saíssem da aposentadoria para ajudar nos hospitais, enquanto as tropas da Guarda Nacional voaram dos Estados Unidos para a República Tcheca para ajudar os sobrecarregados profissionais de saúde de lá. Na Holanda, novos pacientes contaminados tiveram que ser transferidos de helicóptero para a Alemanha para socorrer as unidades de terapia intensiva holandesas.

Quase todos os países da Europa Ocidental relataram picos de novos casos - e para vários deles, incluindo Grã-Bretanha, França, Itália e Espanha, o maior número de mortes em meses. Ao anunciar um novo lockdown na França na quarta-feira, o presidente Emmanuel Macron previu que a segunda onda do vírus seria mais mortal do que a primeira.

Na França, estima-se que um milhão de pessoas estejam infectadas com o coronavírus e dois mil novos pacientes são hospitalizados todos os dias, de acordo com dados do governo, os maiores números no país desde meados de abril. 

Os médicos alertaram que os hospitais não aguentarão no inverno se o vírus não puder ser contido, e Macron disse sem rodeios na quarta-feira que se a França não pudesse travar a pandemia, os médicos logo teriam que escolher quais pacientes de covid-19 iriam salvar.

Na Alemanha, como as hospitalizações dobraram nos últimos 10 dias e quase 1.500 pacientes estão em tratamento intensivo, a chanceler Angela Merkel anunciou novas medidas de bloqueio na quarta-feira, enquanto prometia evitar "situações que são extremamente difíceis".

Profissionais de saúde exaustos e outras epidemias, como a gripe, que chegam no inverno levaram as autoridades a alertar que o pior ainda está por vir. Enquanto na Europa Ocidental, o medo de hospitais lotados trouxe uma sensação de déjà-vu da primeira onda na primavera, países da Europa Central e Oriental, que escaparam da primeira onda relativamente ilesos, enfrentaram uma situação assustadoramente nova.

Países como a República Tcheca e a Polônia impuseram restrições severas no segundo trimestre e viram taxas de infecção mais baixas, mas o aumento no número de casos no atual momento revelou uma escassez crítica de enfermeiras, médicos e leitos de terapia intensiva. Na Bulgária, muitos profissionais de saúde estão adoecendo com o vírus, e um médico aclamado se tornou o 19º profissional a morrer do vírus no início deste mês. Na República Tcheca, onde os casos estão aumentando em um dos ritmos mais rápidos da Europa, o primeiro-ministro Andrej Babis alertou que o sistema de saúde do país pode entrar em colapso antes de meados de novembro.

“O que aconteceu foi de alguma forma previsto, mas ninguém esperava seu alcance”, disse Babis depois de declarar um segundo lockdown.

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