Eduardo Gayer, enviado especial / Kiev
Eduardo Gayer, enviado especial / Kiev

Supermercados de Kiev já enfrentam corrida por alimentos após invasão da Rússia; veja vídeo

Lojas têm prateleiras vazias, enquanto população corre para se abastecer ou foge da capital, lotando estações de trem e estradas; espaço aéreo está fechado

Eduardo Gayer, enviado especial / Kiev, O Estado de S.Paulo

24 de fevereiro de 2022 | 12h26
Atualizado 24 de fevereiro de 2022 | 12h33

KIEV - Horas após a invasão russa, os supermercados de Kiev, capital da Ucrânia, já enfrentam corrida por alimentos. A reportagem do Estadão encontrou prateleiras vazias em um estabelecimento nas proximidades da Praça da Independência, área central da cidade, e filas nos caixas. O temor é de desabastecimento.

Os funcionários do supermercado estavam apreensivos e os clientes, apressados. A recomendação do governo local é permanecer em suas casas ou em ambientes seguros o máximo possível e, ao som do alarme de emergência, dirigir-se a bunkers instalados em estações de metrôs. É a senha para a possibilidade de início de bombardeios.

O alarme de emergência soou no fim da madrugada desta quinta-feira após a Rússia invadir a Ucrânia. Bombardeios foram registrados até mesmo em Kiev, que está a 700 quilômetros da fronteira. 

Apesar da recomendação do governo, a população, com medo da guerra, tem fugido de Kiev pelas estradas e ferrovias. Congestionamentos são registrados em todas as saídas da capital. Há milhares de pessoas lotando estações de ônibus e trens do metrô, a maioria com bagagem nas mãos, tentando deixar a capital ucraniana às pressas.

Há filas nos postos de combustíveis e vários deles já não têm mais gasolina para vender. Muitos moradores também estão percorrendo os supermercados, tentando comprar mantimentos e água.

Nas ruas da capital ucraniana, lojas fechadas e poucas pessoas caminhando em passos rápidos no frio de 4 graus. Uma diferença fundamental em relação aos dias anteriores, quando o clima era de “seguir a vida” por Kiev, apesar do medo da iminente invasão, agora concretizada.

Resposta à invasão

Em mais uma resposta à invasão russa, o governo da Ucrânia posicionou tanques de guerra na Praça da Independência, conhecida como Maidan, na área central da capital Kiev.

Os militares serão responsáveis pela checagem de documentos e monitoramento da cidade. A Ucrânia está sob decreto de estado de emergência, nível máximo de restrições. Pelo menos duas explosões foram ouvidas em Kiev. Um pouco depois, as sirenes para alertar para bombardeios ressoaram no centro da capital. Os moradores correram para as estações subterrâneas do trem em busca de abrigo.

O Ministério da Infraestrutura da Ucrânia anunciou o fechamento do espaço aéreo do país "por causa do alto risco de segurança", interrompendo o tráfego civil logo após a meia-noite. A Rússia afirma ter feito uma primeira ofensiva contra alvos militares em Kiev, Kharkiv e outras cidades no centro e no leste do país, enquanto autoridades ucranianas confirmam oito mortes até o momento.

O Ministério da Defesa russo garante ter destruído a capacidade de defesa antiaérea da Ucrânia, bem como parte de seus jatos na operação e negou que seus militares estivessem realizando ataques contra cidades ucranianas. "Armas de alta precisão estão tornando inoperantes a infraestrutura militar do Exército ucraniano, sistemas de defesa aérea, pistas e jatos das forças aéreas", disse a pasta.

Os ucranianos dizem ter derrubados cinco caças russos e um helicóptero durante os bombardeios, o que Moscou nega.

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