Suspeitos confessam ter queimado palestino por vingança, diz Israel

Segundo autoridades, no dia do crime os três israelenses 'patrulharam' bairros de Jerusalém em busca de uma vítima

O Estado de S. Paulo

14 de julho de 2014 | 14h18

JERUSALÉM - Três israelenses presos pela morte de um adolescente palestino confessaram ter sequestrado e ateado fogo ao jovem por vingança, disseram autoridades nesta segunda-feira, 14. O caso contribuiu para desencadear uma semana de conflitos entre Israel e o Hamas na Faixa de Gaza.

Suspendendo o sigilo judicial sobre o caso, Israel disse que os suspeitos, dois deles menores de idade, disseram aos interrogadores que ao matar Mohamed Abu Khder buscavam vingança pela morte de três seminaristas israelenses na Cisjordânia no mês passado. Os nomes dos suspeitos não foram divulgados porque eles ainda não foram formalmente indiciados.

O suspeito adulto enfrenta as acusações mais graves e deve alegar como atenuante ter sofrido de distúrbios mentais no passado. "Espero em breve ter acesso aos dados da investigação, onde eu vou buscar apoio para a avaliação de que há um problema complexo em matéria de culpabilidade penal do meu cliente", disse um advogado da Honenu, uma organização de ajuda legal a ultranacionalistas israelenses.

As tensões aumentaram após os dois crimes. Mais de 166 palestinos, a maioria civil, foram mortos pela ofensiva israelense em Gaza, dominada pelo grupo militante Hamas. Centenas de foguetes foram disparados de Gaza contra Israel.

De acordo com a agência de segurança Shin Bet, de Israel, na madrugada de 2 de julho, enquanto os muçulmanos marcavam o fim do Ramadã, os três suspeitos "patrulharam bairros de Jerusalém por horas, na tentativa de encontrar uma vítima para o sequestro, até que avistaram Mohamed Abu Khder".

Forçando o palestino a entrar no carro, eles dirigiram até uma floresta fora da cidade onde o suspeito de 29 anos bateu na cabeça da vítima com uma barra de ferro e ajudou os dois jovens de 17 anos a encharcá-lo com combustível e atear fogo em seu corpo, segundo o Shin Bet.

O primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, que culpou o Hamas pela morte dos três adolescentes israelenses e lançou uma ofensiva contra o grupo islâmico palestino, lamentou o assassinato de Khder, que classificou como "repugnante". Ele ordenou que a polícia encontrasse os culpados rapidamente e prometeu punição. /REUTERS

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