EFE/EPA/WATAN YAR
EFE/EPA/WATAN YAR

Taleban anuncia trégua temporária no Afeganistão

Cessar-fogo duraria 10 dias, segundo fontes do grupo, e pode levar a assinatura de acordo de paz com os EUA

Redação, O Estado de S.Paulo

29 de dezembro de 2019 | 18h09

CABUL - O Taleban anunciou neste domingo, 29, uma trégua temporária no Afeganistão, ato que pode antecipar um acordo de paz com os Estados Unidos. Se um acordo for assinado, Washington pode levar de volta para casa seus soldados e encerrar a intervenção militar que já dura 18 anos - a mais longa de sua história.

mais de um ano, EUA e Taleban negociam a retirada das forças armadas americanas do Afeganistão, mas as conversas foram interrompidas em mais de uma ocasião após ataques do grupo. 

Antes de assinar um acordo de paz, Washington exige que o Taleban se comprometa a evitar que o Afeganistão se transforme em um território base para grupos terroristas. Atualmente, há cerca de 12 mil homens americanos no país. 

O líder taleban precisa dar aval ao cessar-fogo, mas já havia declarado que o faria. Não foi divulgada a duração da trégua, mas fontes oficiais mencionaram a possibilidade de que permaneça em vigor por 10 dias.

Integrantes da delegação negociadora do Taleban se reuniram por uma semana com o conselho governante do Afeganistão antes de anunciarem a trégua. A delegação retornou ontem ao Catar, onde possui um escritório político. 

A trégua temporária anunciada pelo Taleban foi proposta pelo diplomata americano responsável pelo tema, Zalmay Khalilzad, na mais recente conversa entre as duas partes.

Um dos pontos-chave de um acordo de paz, que é justamente discutido há mais de um ano por representantes americanos e taleban, é a realização de negociações diretas entre os afegãos envolvidos no conflito. Essas conversas começariam, segundo fontes do grupo, duas semanas após a assinatura do acordo de paz. 

As negociações servirão para decidir a situação do Afeganistão pós-guerra e o protagonismo político do Taleban. Além disso, serão abordados temas delicados no país, como os direitos das mulheres, a liberdade de expressão e o destino de milhares de combatentes do Taleban e das milícias que surgiram desde que o grupo perdeu força. 

Em dez anos, o conflito afegão causou mais de 100 mil vítimas civis, anunciou o chefe da missão das Nações Unidas no Afeganistão (MANUA). A missão da ONU contabiliza sistematicamente vítimas civis desde 2009 e publica relatórios trimestrais detalhados sobre o assunto.

No sábado, 10 soldados afegãos foram mortos em um ataque do Taleban contra uma base militar na província de Helmand, no sul do país. / AP e AFP 

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