Shawn Thew/EFE
Shawn Thew/EFE

Trump ordena operação para deportar 2 mil imigrantes ilegais

Presidente promete megaoperação no domingo em dez cidades americanas para expulsar quem estiver nos EUA ilegalmente

Redação, O Estado de S.Paulo

11 de julho de 2019 | 21h37

NOVA YORK - Batidas policiais para prender milhares de membros de famílias que estão ilegalmente nos EUA devem começar no domingo, segundo funcionários de segurança interna, em uma operação cujos detalhes finais permanecem em andamento. A ordem do presidente Donald Trump é deportar pelo menos 2 mil imigrantes em dez cidades americanas. 

As batidas, que serão conduzidas pela Agência de Imigração e Alfândega (ICE, na sigla em inglês) durante vários dias, incluirão deportações “colaterais”, segundo os funcionários, que falaram sob condição de anonimato por estarem na etapa preliminar da operação. Nessas deportações, as autoridades poderão deter imigrantes que estiverem presentes, mesmo não sendo alvos das operações.

Quando possível, os imigrantes da mesma família que forem presos juntos serão mantidos em centros de detenção no Texas e na Pensilvânia. Mas, em razão das limitações de espaço, alguns podem acabar ficando em hotéis até que seus documentos para viagem possam ser preparados. O objetivo da ICE é deportar as famílias o mais rápido possível.

Autoridades disseram que os agentes da ICE têm como alvo pelo menos 2 mil imigrantes cuja deportação foi decidida – alguns como resultado de não terem comparecido ao tribunal –, mas permanecem no país ilegalmente. A operação deverá ocorrer em dez cidades.

As famílias que estão na mira do governo cruzaram a fronteira recentemente: Trump acelerou os julgamentos de casos de imigração nos últimos meses do ano passado. Em fevereiro, muitos desses imigrantes foram notificados para se reportar a um escritório da ICE e sair dos EUA, disseram funcionários do Departamento de Segurança Interna.

A ameaça de deportação afetou comunidades de imigrantes em todo o país, provocou reação de políticos, policiais locais e foi um incentivo à divisão dentro do Departamento de Segurança Interna – a agência encarregada de realizar as deportações. A meta do governo é usar a operação como demonstração de força para impedir as famílias de se aproximarem da fronteira, disseram os funcionários.

Agentes estão apreensivos quanto à prisão de bebês e de crianças pequenas, segundo autoridades. Os agentes também dizem que a operação pode ter um sucesso limitado, pois as informações já se espalharam entre comunidades de imigrantes sobre como evitar a prisão – ou seja, recusando-se a abrir a porta quando um agente se aproximar – a ICE não pode entrar à força em uma casa.

Os advogados de defesa de imigrantes estão preparados para apresentar moções para reabrir casos de pedido de famílias, o que atrasará ou impedirá a deportação.

No mês passado, o então diretor da ICE, Mark Morgan, indicou que os agentes intensificariam os esforços para reunir famílias. No entanto, Trump foi ao Twitter e ameaçou realizar uma deportação em massa de imigrantes ilegais – depois, acabou recuando. 

A democrata Nancy Pelosi, presidente da Câmara dos Deputados, pediu nesta quinta-feira a seus colegas de partido que encontrem uma maneira de responder aos ataques de Trump aos imigrantes. Em reunião a portas fechadas, ela pediu que seus colegas intensifiquem uma campanha para difundir os direitos dos imigrantes. 

“As famílias devem ficar juntas. Todos nos EUA têm seus direitos”, disse Pelosi. “Espero que o presidente reflita melhor.”

Ajuda.

Governadores e prefeitos de grandes cidades dos EUA indicaram nesta quinta-feira que adotarão medidas para ajudar as famílias de imigrantes que possam ser afetados pela onda de deportações que, segundo a imprensa local, deve começar neste fim de semana. 

Em Nova York, o prefeito Bill de Blasio e o Escritório de Assuntos de Imigrantes da cidade pediram “ter ciência” dos direitos dos ilegais se algum agente federal de imigração “chegar em seu lar ou se aproximar em um local público”. Em sua mensagem, De Blasio disse que os imigrantes podem pedir “ajuda gratuita legal e segura” para aprender como se proteger em uma situação do tipo.

Em Chicago, a prefeita Lori Lightfoot afirmou que a cidade do Estado de Illinois “é e sempre será uma cidade acolhedora, que não tolerará a separação das famílias”. Nessa cidade, uma das dez nas quais os agentes de imigração realizarão as apreensões, espera-se que mais de 10 mil pessoas participem amanhã de uma marcha contra essas deportações.

Segundo a mídia local, entre as cidades onde podem ocorrer as apreensões estão Atlanta, Denver, Baltimore, Houston, Miami, Los Angeles, Nova York e São Francisco.

O alvo seriam cerca de 2 mil pessoas que já têm uma ordem de deportação, mas não se apresentaram aos tribunais. Gavin Newsom, governador da Califórnia, Estado com o maior número de imigrantes ilegais, juntou-se às críticas e reconheceu que os rumores estão aumentando a ansiedade da comunidade. Ele disse ser “vital” saber que os imigrantes ilegais também têm direitos.

Por sua vez, o governador de Nova York, Andrew Cuomo, declarou que seu Estado “continuará apoiando todos os imigrantes para assegurar que eles tenham todas as proteções garantidas por lei”.

O prefeito de Denver, Michael Hancock, disse que mantém firme seu “compromisso com os imigrantes, que contribuem” com a comunidade e a economia local e as “famílias que fogem da violência”.

Ele acrescentou que Denver fará tudo possível para evitar a “prática desumana” de separar as crianças de suas famílias. “Nunca apoiaremos operações destinadas a difundir o medo em nossa comunidade”, disse. Ele pediu a empresas e moradores que façam doações ao fundo que garante serviços legais de imigração gratuitos aos que estão sob risco de deportação. / EFE e NYT, TRADUÇÃO DE CLAUDIA BOZZO

 

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