AFP PHOTO / Nicholas Kamm
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Trump quer fim de cotas raciais em universidades dos EUA

Anúncio que será feito nesta terça-feira recomendará o fim de pacotes aprovados na gestão de Barack Obama determinando o uso das cotas para estimular a diversidade

O Estado de S.Paulo

03 Julho 2018 | 15h46
Atualizado 03 Julho 2018 | 19h03

WASHINGTON - O governo de Donald Trump deseja encerrar um sistema de cotas vigente nos EUA, no qual faculdades e universidades americanas foram orientadas a usar cotas raciais em processos de admissão para promover a diversidade, afirmou nesta terça-feira, 3, uma fonte da administração. Dessa forma, Trump reverte mais uma medida da gestão de seu antecessor, Barack Obama. 

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O anúncio recomendando a mudança deve ser feito ainda nesta terça-feira. A ideia é que o Departamento de Justiça anule um pacote de políticas que Obama instituiu em 2011 e 2016 para favorecer a admissão de estudantes de minorias raciais. 

A decisão de 2011 disse que os Departamentos de Justiça e Educação "reconhecem o interesse que as instituições secundárias têm em obter os benefícios que resultam da obtenção de um corpo discente diverso". O documento declarou que as escolas tinham flexibilidade para "tomar medidas proativas, de maneira consistente com os princípios articulados em pareceres da Suprema Corte, para atender a esse interesse".

Os documentos da era Obama substituíram uma carta de 2008 sobre o assunto, do governo do republicano George W. Bush. Agora, a administração Trump está prestes a firmar sua visão sobre o assunto.

A decisão ocorre meses antes de um julgamento para determinar se a Universidade de Harvard discriminou estudantes de origem asiática em um processo de admissão ao exigir deles mais conhecimento do que outros candidatos. O Departamento de Justiça participará do julgamento, que ocorre em outubro. 

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O anúncio de Trump deve retomar a discussão sobre os critérios para a admissão no ensino superior dos EUA, tema sobre o qual a Suprema Corte já se posicionou diversas vezes desde a década de 70. Em junho de 2016, a mais alta instância jurídica do país reafirmou a necessidade dos critérios de cotas ao decidir contra a jovem branca Abigail Noel Fisher.

Abigail processou a Universidade do Texas em 2008 porque não foi admitida já que a universidade aplicou os critérios que priorizavam jovens de minorias.

Opositores do uso de cotas disseram estar animados. "É um desenvolvimento muito bom", disse o presidente do Centro para Oportunidades Iguais, Roger Clegg. 

Segundo ele, é apropriado que o governo descarte políticas que encorajem escolas a considerar raça ou etnia ao decidirem onde os estudantes serão designados ou admitidos. "Os alunos devem poder frequentar uma escola sem levar em conta a cor de sua pele ou de que país seus ancestrais vieram".

Ex-funcionários do governo Obama criticaram a ação. "Mais uma vez, a administração Trump trabalha para criar confusão onde não existe nenhuma, enlameando desnecessariamente as práticas de direitos civis nas escolas", disse a secretária de direitos civis da gestão Obama, Catherine Lhamon. / EFE e WASHINGTON POST

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