Mike Theiler/REUTERS
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Twitter suspende 70 mil contas vinculadas ao QAnon

Grupo especializado em difundir teorias da conspiração é pró-Trump; plataforma afirmou ter tomado a decisão por 'risco de danos'

Redação, O Estado de S.Paulo

11 de janeiro de 2021 | 23h47
Atualizado 12 de janeiro de 2021 | 01h02

SÃO FRANCISCO - O Twitter anunciou nesta segunda-feira, 11, que suspendeu "permanentemente" 70 mil contas filiadas ao movimento pró-Trump QAnon. O objetivo é impedi-los de usar a rede social para fins violentos após o ataque ao Capitólio na semana passada por partidários do presidente dos Estados Unidos.

A plataforma lançou um expurgo que começou na sexta-feira com o bloqueio final da conta de Donald Trump, acusado de ter incentivado seus seguidores a inviabilizar a certificação da vitória do democrata Joe Biden pelo Congresso.

"Desde sexta-feira, mais de 70 mil contas foram suspensas", disse o Twitter em um comunicado. O número de contas bloqueadas é alto porque muitos indivíduos tinham mais de uma conta.

"Essas contas compartilhavam conteúdo malicioso associado ao QAnon de forma massiva e eram principalmente dedicadas à propagação dessa teoria da conspiração", acrescentou.

A maioria das plataformas de mídia social tomou medidas sem precedentes desde que partidários do bilionário republicano invadiram o Capitólio por várias horas na quarta-feira, chocando o país e o mundo. Cinco pessoas morreram.

O Facebook e o Twitter suspenderam por tempo indeterminado a conta de Donald Trump, que há meses desacredita o processo eleitoral e acusa os democratas, sem provas, de "roubar as eleições".

Para justificar sua decisão, as duas redes fizeram referência particular ao risco de violência futura antes da cerimônia de posse de Joe Biden em 20 de janeiro em frente ao Capitólio.

"Os planos para futuros protestos armados estão proliferando no Twitter e em outros lugares, incluindo um segundo ataque ao Capitólio em 17 de janeiro de 2021", informou o Twitter na sexta-feira.

A rede era a principal ferramenta de comunicação de Donald Trump, onde ele interagia com seus 88 milhões de seguidores.

Trump obteve um aliado incomum nesta questão na segunda-feira. A chanceler alemã, Angela Merkel, qualificou a decisão do Twitter de "problemática" porque mostra a onipotência das plataformas em termos de liberdade de expressão.

QAnon é um movimento conspiratório de extrema direita. Seus seguidores defendem a ideia de que Donald Trump está travando uma guerra secreta contra uma seita liberal global de pedófilos satânicos./AFP

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