EFE/EPA/VATICAN MEDIA
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Túmulos vazios do Vaticano aumentam mistério sobre menina desaparecida há 36 anos

Especialistas buscavam os restos mortais de Emanuela Orlandi, filha de um funcionário do Vaticano que jamais voltou para casa; ossadas de duas princesas que deveriam estar nas mesmas tumbas também não foram localizadas

Redação, O Estado de S.Paulo

11 de julho de 2019 | 08h04
Atualizado 11 de julho de 2019 | 16h37

CIDADE DO VATICANO - O Vaticano abriu dois túmulos nesta quinta-feira, 11, para verificar se o corpo de uma jovem desaparecida desde 1983 estava escondido no local, mas se deparou com um novo mistério quando nada foi encontrado, nem os ossos de duas princesas do século 19 que deveriam estar no interior da tumbas.

Especialistas buscavam os restos mortais de Emanuela Orlandi, filha de um funcionário do Vaticano que jamais voltou para casa. O desaparecimento causou muita especulação na mídia italiana durante anos.

O trabalho de exumação começou após uma prece matutina no Cemitério Teutônico, localizado dentro das dependências do Vaticano e usado durante séculos sobretudo por figuras da Igreja ou membros de famílias nobres de origem alemã ou austríaca.

Autoridades esperavam encontrar ao menos os ossos da princesa Sophie von Hohenlohe, que morreu em 1836, e da princesa Carlotta Federica de Mecklenburgo, falecida em 1840, mas não havia resquício de nenhuma delas.

“O resultado da busca foi negativo. Nenhum resto humano ou urna funerária foi encontrado”, disse o porta-voz do Vaticano, Alessandro Gisotti.

Gisotti disse que agora o Vaticano examinará registros de trabalhos estruturais feitos no cemitério no fim do século 19 e novamente cerca de 60 anos atrás para ver se eles lançam alguma luz sobre o novo mistério.

A tumba da princesa Sophie levou a um grande cômodo subterrâneo vazio, e nenhum resto humano foi encontrado na tumba da princesa Carlotta, disse.

Emanuela Orlandi, de 15 anos, foi vista pela última vez em 22 de junho de 1983, quando deixava uma aula de música em Roma.

Esse caso não resolvido nunca deixou de fascinar os italianos, inspirando teorias da conspiração envolvendo a máfia e o Vaticano.

As teorias sobre o sumiço de Emanuela foram desde uma tentativa de militantes de obter a libertação do turco Mehmet Ali Agca, preso em 1981 por tentar assassinar o papa João Paulo II, a uma conexão com o túmulo de Enrico De Pedis, mafioso enterrado em uma basílica de Roma. Sua tumba foi aberta em 2012, mas nada foi revelado.

No ano passado, ossos encontrados durante obras na Embaixada do Vaticano na capital italiana provocaram um frenesi na mídia por sugerirem que poderiam pertencer a Emanuela ou a Mirella Gregori, outra menina que desapareceu no mesmo ano, mas os exames de DNA foram negativos.

Carta anônima

Mais tarde, a família Orlandi recebeu uma carta anônima dizendo que o corpo de Emanuela poderia estar escondido entre os mortos do Cemitério Teutônico onde uma estátua de um anjo segurando um livro diz “Requiescat in Pace” –“Descanse em Paz” em latim.

"Estamos todos muito surpresos", disse a advogada, afirmando que o Vaticano "poderia ter verificado antes se as princesas foram sepultadas nestes túmulos ou se eram apenas monumentos funerários para homenageá-las".

O irmão de Emanuela afirmou que esperava tudo, menos encontrar as sepulturas vazias, até porque os guardas do cemitério declararam que uma das famílias pedia que colocasse flores e velas de vez em quando em um dos túmulos.

A advogada da família Orlandi, Laura Sgrò, informou que agora o Vaticano terá que dar informações sobre o motivo de os jazigos estarem vazios e reiterou seu apelo para que quem souber algo sobre o que aconteceu com Emanuela quebre o silêncio que já dura 36 anos. / REUTERS, EFE e AFP

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