Pierre Emmanuel Deletree / EFE
Pierre Emmanuel Deletree / EFE

Volta de Cristina Kirchner ao poder na Argentina pode ameaçar Mercosul, diz Bolsonaro

Em viagem ao Japão, presidente brasileiro falou que conversa sobre possíveis mudanças na composição do bloco com o ministro da Economia, Paulo Guedes, desde antes de assumir o cargo

Julia Lindner, enviada especial, O Estado de S.Paulo

23 de outubro de 2019 | 08h52

TÓQUIO - O presidente Jair Bolsonaro indicou que pode propor a suspensão da Argentina do Mercosul caso a chapa composta pela ex-presidente Cristina Kirchner, candidata à vice-presidência, vença a eleição no país. Bolsonaro citou situação semelhante em 2012, quando o Paraguai ficou fora do bloco temporariamente e a Venezuela foi incluída. Na época, o anúncio foi feito justamente por Cristina.

Para Bolsonaro, a volta da ex-presidente ao governo argentino poderia colocar toda a estrutura do Mercosul em risco. "Nós sabemos que a volta da turma do Foro de São Paulo (formado por partidos de esquerda) e da Cristina Kirchner para o governo argentino pode, sim, colocar em risco todo Mercosul", disse o presidente ao deixar o hotel onde está hospedado, em Tóquio. "Se possivelmente colocando em risco todo o Mercosul, você tem de ter uma alternativa no bolso", acrescentou.

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Bolsonaro falou que conversa sobre possíveis mudanças na composição do bloco com o ministro da Economia, Paulo Guedes, desde antes de assumir o cargo. De acordo com ele, o governo brasileiro espera que o eventual sucessor de Mauricio Macri siga a sua postura nas questões comerciais relativas ao Mercosul. Do contrário, poderia reunir Uruguai e Paraguai para tomar alguma providência.

"Eu conversei com o Paulo Guedes, mesmo antes de tomar posse, sobre a questão do Mercosul. Você pode ver, tem um livro do Pepe Mujica que ele fala de como afastaram o Paraguai, na época, para entrar a Venezuela. É uma história que se não fosse escrita por alguém de dentro dele (do bloco comercial), você jamais acreditaria nisso daí", afirmou.

"O que nós queremos é que a Argentina continue na questão comercial, caso a oposição vença, da mesma forma do Macri. Caso contrário, podemos nos reunir com o Uruguai e o Paraguai e tomarmos uma decisão não semelhante àquela lá atrás, aquela foi por outros propósitos. O nosso propósito não é facilitar a esquerda a formar uma grande pátria bolivariana, como queriam os governantes daquela época. A nossa ideia é sim, de fato, abrir o mercado e fazer comércio com o mundo todo", declarou.

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