AP Photo/Nasser Nasser
AP Photo/Nasser Nasser

‘Dia de fúria’ contra Trump une países islâmicos; ao menos 4 palestinos morrem em Gaza

Tradicionais adversários geopolíticos, Irã e Arábia Saudita criticam decisão dos EUA de reconhecer Jerusalém como capital de Israel; em resposta a foguetes, Exército israelense volta a bombardear território palestino

Andrei Netto, Enviado Especial / Jerusalém, O Estado de S.Paulo

08 Dezembro 2017 | 21h15

JERUSALÉM - Corpos de mais dois palestinos foram encontrados na manhã deste sábado, 9, na Faixa de Gaza, em meio confrontos com soldados israelenses no “dia de fúria” dos muçulmanos contra a decisão do presidente dos EUA, Donald Trump, de reconhecer Jerusalém como capital de Israel. Neste sábado,  ataques aéros de Benjamin Netanyahu mataram mais duas pessoas, e o total de mortos subiu para pelo menos quatro - todos palestinos  

Após lançamento de foguetes do Hamas, Israel volta a atacar Gaza

 Os confrontos mais violentos ocorreram em cidades da Cisjordânia, após os líderes do Hamas convocarem a população para uma nova intifada – “levante”, em árabe. Pelo menos 300 pessoas ficaram feridas e até agora 4 pessoas morreram. Nas cidades de Hebron, Belém, Jericó e Nablus, os manifestantes arremessaram pedras contra as forças israelenses, que responderam com bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha. Neste sábado, os israelenses seguiram a defensiva e fizeram ataques aéreos.

Na sexta, o Hamas lançou três foguetes contra o sul de Israel. Dois foram interceptados pelo sistema antimísseis conhecido como “Domo de Ferro”. O terceiro atingiu a cidade de Sderot, acertando carros sem deixar feridos. “As Forças de Defesa responsabilizam apenas e tão somente o Hamas por todos os atos hostis que emanam da Faixa de Gaza contra Israel”, escreveu o Exército.

Cenário: Mudar embaixada foi decisão política, não diplomática

A reação contra a declaração de Trump se espalhou. Após as tradicionais orações de sexta-feira, centenas de pessoas marcharam na capital iraniana, Teerã, onde os clérigos pediram aos palestinos que preparem uma revolta. Manifestantes jordanianos tomaram as ruas em Amã e milhares de turcos se reuniram em Istambul e outras cidades do país. No Cairo, os manifestantes se reuniram na Mesquita de Al-Azhar, onde cantaram: “Com sangue e alma, nos sacrificaremos por você, Al-Quds!” – nome árabe de Jerusalém.

Em Amã, na Jordânia, um dos dois únicos países, ao lado do Egito, que assinaram um tratado de paz com Israel, o protesto reuniu mais de 20 mil pessoas. Muitos portavam cartazes e gritavam que “Jerusalém é capital da Palestina”. Irã e Arábia Saudita, inimigos ferrenhos que lutam pela hegemonia no Oriente Médio, emitiram opiniões similares sobre a decisão americana. 

A Casa Branca e a arte do desapego

O príncipe Turki bin Faisal, ex-chefe dos serviços de inteligência da Arábia Saudita, afirmou que a decisão americana foi um “passo irresponsável”. O presidente do Irã, Hassan Rohani, afirmou que o país “não vai tolerar” o que considera uma violação internacional dos americanos. Hassan Nasrallah, líder da organização libanesa xiita Hezbollah, apoiada pelo Irã e com milhares de mísseis apontados para Israel na fronteira do Líbano, exortou os palestinos a se levantarem contra os israelenses.

Mudança

Falando em Paris ao lado do chanceler da França, Jean-Yves Le Drian, o secretário de Estado americano, Rex Tillerson, reduziu a importância da decisão tomada por Trump. O chefe da diplomacia americana disse que a transferência da embaixada, provavelmente, não acontecerá nos próximos dois anos. 

No entanto, diversos judeus ortodoxos ouvidos ontem pelo Estado em Jerusalém demonstraram grande satisfação com a decisão. “Estou muito orgulhoso. Até aqui, vivíamos uma situação tipicamente antissemita, porque nos diziam qual deveria ser nossa capital”, afirmou David Landau, de 21 anos, britânico que vive entre Londres e Jerusalém, onde estuda o judaísmo. Ele aposta que outros países seguirão os EUA.

Moshe Deitsch, estudante de 18 anos, não é tão otimista. “Eu espero que não haja uma intifada, mas só Deus sabe. Nós queremos a paz, só não temos o poder de decisão”, ponderou. “Para nós, judeus, o fato de Trump reconhecer Jerusalém como capital do Estado de Israel não muda nada, porque nós a consideramos há muito tempo. O importante é que a declaração dos EUA tem um impacto mundial.” Com informações da AFP e EFE

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