AFP PHOTO / SPUTNIK / Mikhail KLIMENTYEV
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Ex-chefe da CIA diz que 'Trump deveria se envergonhar'

Presidente americano chamou ex-chefes de agências de inteligência de 'hackers políticos' por terem concluído que houve interferência da Rússia nas eleições

O Estado de S.Paulo

12 Novembro 2017 | 18h11

Ex-chefes de agências de inteligência dos EUA disseram neste domingo, 12, que o presidente Donald Trump "deveria se envergonhar" depois de chamá-los de "hackers políticos" por terem concluído que houve interferência da Rússia nas eleições de 2016. 

"Considerando a fonte da crítica, considero-a como uma medalha de honra", disse John Brennan, ex-chefe da CIA, em um programa da "CNN" em que ele apareceu com o ex-diretor de inteligência James Clapper. 

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"Eu acho particularmente repreensível que, no Dia dos Veteranos, Donald Trump ataque e questione a integridade e o caráter de Jim Clapper, que usou o uniforme por 35 anos", disse Brennan. "Eu acho que é algo de que Trump deveria se envergonhar", acrescentou Brenna. 

Trump, que está nas Filipinas em uma viagem de 12 dias na Ásia, atacou Brennan, Clapper e o ex-diretor do FBI James Comey chamando-os de "hackers políticos" após críticas severas ao dizer que o presidente Vladimir Putin foi sincero ao afirmar que a Rússia não interferiu nas eleições dos EUA. "Realmente acredito que, se ele me diz isso, é que diz a verdade", disse Trump a jornalistas que o acompanhavam no avião presidencial da Força Aérea, com destino a Hanoi, no sábado.

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Trump sugeriu que ele dá mais credibilidade às afirmações de Putin do que às declarações de Bernnan, Clapper e Comey sobre as descobertas das agências de inteligência quanto à interferência russa. "Quero dizer, dêem um tempo, eles são hackers da política", disse o presidente americano, ao mencionar os três ex-chefes e acusar os democratas de fomentar a controvérsia sobre a colusão russa em sua campanha eleitoral.

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O presidente disse que Comey, demitido em maio diante das crescentes pressões pela investigação sobre a interferência de Moscou na campanha, era "um mentiroso" e reiterou que Putin rejeitou "veementemente" qualquer intromissão.

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Brennan e Clapper devolveram a alfinetada neste domingo e descreveram a morna resposta de Trump para a suposta interferência russa como um perigo para a segurança nacional dos Estados Unidos. 

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"Putin está determinado a enfraquecer nosso sistema, nossa democracia e todo o nosso processo", disse Clapper. "E tratar de pintá-lo de qualquer outra forma é, eu acho, incrível, e, de fato, representa um perigo para este país".

Brennan acrescentou: "Eu acho que ele está dando um passe a Putin, e acho que mostra ao Sr. Putin que Donald Trump pode ser enganado por líderes estrangeiros que vão apelar ao seu ego e tentar aproveitar suas inseguranças, o que é muito, muito preocupante".

No domingo, Trump amenizou sua crítica inicial ao afirmar que "independentemente de acreditar ou não" nas acusações de intromissão na Rússia, está "com nossas agências, especialmente como está constituída atualmente sua liderança", uma frase que exclui Clapper, Brennan e Comey. Mas o atual chefe da CIA, Mike Pompeo, nomeado por Trump, retirou seu apoio às descobertas sobre a interferência russa na campanha eleitoral./AFP

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