REUTERS/John Sommers II
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Lobby da bala quer menor controle

Proposta determina que a regra sobre o transporte e uso de armas nos EUA seja a do Estado onde elas foram compradas

Cláudia Trevisan, correspondente / Washington, O Estado de S.Paulo

13 Novembro 2017 | 05h00

WASHINGTON - Principal grupo de lobby da indústria de armas nos EUA, a Associação Nacional do Rifle (NRA, na sigla em inglês) pressiona o Congresso a aprovar lei que acabaria com a possibilidade de os Estados definirem quem pode portar armas em seus territórios e os tipos de armas permitidas.

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A proposta determina que a regra sobre o transporte e uso de armas no país seja a do Estado onde elas foram compradas. “A atordoante variedade de leis ao redor do país pode deixar até o mais informado proprietário de armas confuso sobre onde eles podem ou não carregar uma arma”, diz texto do Instituto de Ação Legislativa da entidade. “Em consequência, muitos deixam suas armas em casa para evitar problemas com a polícia – efetivamente tendo o seu direito de carregar armas negado por conflitos de leis de Estado para Estado.” O cirurgião pediátrico Michael Hirsh qualifica como “loucura” a proposta defendida pela NRA. “A população de Massachusetts, que não quer armas a seu redor, teria de aceitar pessoas armadas de outros Estados.”

John Rosenthal, do Stop Handgun Violence, afirmou que o projeto tem o potencial de minar os esforços de Massachusetts, que levaram à redução 60% das mortes por tiros no Estado desde 1994. “Dois terços dos crimes em Massachusetts são cometidos por armas trazidas de outros Estados.”

Outra prioridade legislativa do lobby das armas é facilitar a venda de silenciadores (que eles chamam de “supressores”), sob o argumento de que o dispositivo evita danos à audição dos atiradores. “Usar supressores pode tornar o uso de armas de fogo mais seguro e mais agradável e ajudar campos de tiro a serem mais amigáveis à vizinhança”, justifica a NRA.

Hirsh afirma que essa é outra “loucura” do lobby pró-armas. Se o projeto for aprovado, observou, colocará em risco um programa de identificação de tiros em Worcester que acelerou a resposta da polícia e o atendimento a feridos. O sistema usa sensores que detectam disparos e permitem que a polícia entre em ação antes de receber chamadas de emergência.

 

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