Pilar Olivares/Reuters
Pilar Olivares/Reuters

Ministro peruano renuncia após perdão a Fujimori

Salvador del Solar, que ocupava a pasta da Cultura desde 2016, sempre foi contrário ao indulto para o ex-presidente

O Estado de S.Paulo

27 Dezembro 2017 | 21h19

LIMA - O governo do presidente peruano, Pedro Pablo Kuczynski, teve mais um revés nesta quarta-feira, 27, quando o popular ministro da Cultura, Salvador del Solar, renunciou – três dias depois do indulto humanitário concedido pelo chefe de Estado ao ex-presidente Alberto Fujimori, preso por crimes contra a humanidade.

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“Apresento minha renúncia ao cargo de ministro da Cultura”, anunciou Del Solar, pelo Twitter. Ele sempre foi contrário ao perdão a Fujimori. Considerado um dos integrantes mais antifujimoristas da base de Kuczynski, o ministro vinha sendo cobrado por seu eleitorado e outros setores de oposição ao fujimorismo para que mantivesse “coerência” e não desse qualquer tipo de embasamento ao indulto. 

Del Solar, de 47 anos, foi ator de cinema, teatro e televisão e é um político popular no Peru. Nos últimos meses, a imprensa local especulava que ele poderia iniciar uma carreira presidencial, como o francês Emmanuel Macron – com quem era comparado frequentemente.

O ministro estava na Colômbia quando Kuczynski anunciou o indulto a Fujimori, dias depois de ter escapado da destituição em uma votação no Congresso, justamente em razão da abstenção de dez deputados do partido fujimorista. “Agradeço ao presidente da República por ter me dado a oportunidade de servir ao nosso país”, completou Del Solar ao renunciar. Ele ocupava a pasta desde dezembro de 2016.

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O presidente executivo da TV e rádio públicas, Hugo Coya, também apresentou sua renúncia nesta quarta, mas Del Solar foi o primeiro integrante do gabinete de PPK, como é conhecido o presidente Kuczynski, a deixar o governo desde o perdão concedido a Fujimori.

Na semana passada, o ministro do Interior, Carlos Basombrío, renunciou enquanto o Congresso peruano discutia a destituição de Kuczynski em razão de seus vínculos com a Odebrecht. O presidente estava sob pressão após um painel de investigação formado por parlamentares opositores revelar que a Odebrecht fez pagamentos de quase US$ 800 mil a uma empresa de consultoria de Kuczynski em meados da década passada. À época, ele ocupava cargos de primeiro escalão na gestão de Alejandro Toledo.

Após PPK sair vitorioso da votação, parlamentares opositores o acusaram de obter os votos necessários – entre eles o de Kenji Fujimori – ao garantir a liberdade do ex-presidente.

Fujimori, de 79 anos, governou o país de 1990 a 2000 e cumpriu 12 anos de uma pena de 25 anos de prisão pela morte de 25 pessoas no marco das operações antiterroristas de seu governo. Parentes das vítimas da repressão do regime de Fujimori se organizavam ontem para pedir a anulação do indulto. Hoje, organizações de direitos humanos e grupos políticos se juntam aos grupos de parentes para uma marcha em Lima. 

Nesta quarta, o médico de Fujimori informou que ele ficará internado na clínica onde está até pelo menos sexta-feira e com visitas restritas. No sábado, ele teve uma arritmia e queda de pressão. O médico não informou se houve piora no caso. / AFP 

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