AP Photo/Ben Curtis
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Mugabe aparece em público pela primeira vez desde intervenção militar no Zimbábue

Sob vigilância e sem a companhia de sua mulher, presidente de 93 anos - que comanda o país desde 1980 - participou de cerimônia de entrega de diplomas universitários na capital, Harare; impasse sobre futuro do país segue sem solução

O Estado de S.Paulo

17 Novembro 2017 | 10h49

HARARE - O presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, fez nesta sexta-feira, 17, sua primeira aparição pública desde a intervenção militar no começo desta semana. Ele compareceu a uma cerimônia de entrega de diplomas universitários na capital, Harare.

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O chefe de Estado de 93 anos vestia uma toga azul e amarelo para esta recepção na Universidade Aberta do Zimbábue e sentou em uma grande cadeira de madeira na frente do salão. Ele foi recebido com gritos pela multidão quando declarou a abertura da cerimônia.

Segundo o portal local "News Day", o presidente compareceu ao local sob vigilância e sem a companhia da sua mulher, Grace Mugabe. O ministro da Educação, Jonathan Moyo, que, segundo a imprensa local, continua detido, também não participou da cerimônia.

O ato oficial na Universidade Aberta do Zimbábue estava programado na agenda de Mugabe antes da tomada do poder pelos militares.

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Futuro

Nesta sexta-feira os militares asseguraram, através do jornal "The Herald" - um dos meios de comunicação estatal do Zimbábue, controlado pelas Forças Armadas -, que houve progressos significativos para dar uma saída para a crise, graças às negociações entre as duas partes.

Concretamente, eles afirmaram que avançaram em seu objetivo de eliminar "criminosos do entorno de Mugabe" e de levar alguns deles à Justiça, embora sem detalhar os nomes.

O presidente, que permanece sob prisão domiciliar, e os altos comandantes das Forças Armadas tiveram na véspera uma reunião na sede da presidência, com a mediação de um sacerdote e enviados do Governo da África do Sul, aliada de Mugabe.

Os militares tomaram o controle do país na virada de terça-feira para quarta-feira e, em mensagem transmitida de madrugada na televisão nacional, alegaram que não se tratava de um golpe contra o presidente, mas de uma operação contra "criminosos" do seu entorno. / AFP, EFE e REUTERS

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