O que Merkel pode aprender com os encontros bilaterais anteriores de Trump
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O que Merkel pode aprender com os encontros bilaterais anteriores de Trump

Visita da chanceler alemã à Casa Branca deve ser marcada por um clima inusitado, levando em consideração a experiência que tiveram May, Abe, Trudeau e Netanyahu

Redação Internacional

17 de março de 2017 | 11h18

A chanceler alemã, Angela Merkel, se encontrará com o presidente dos EUA, Donald Trump, na Casa Branca nesta sexta-feira, 17. A visita pode ter um clima um tanto constrangedor e inusitado, como foi cada um dos encontros bilaterais anteriores: com a primeira-ministra britânica, Theresa May; o premiê do Japão, Shinzo Abe; do Canadá, Justin Trudeau; e de Israel, Binyamin Netanyahu. Cada um desses encontros contou com algum momento um tanto inesperado.

Segundo informações do jornal britânico The Guardian, o primeiro encontro de Trump com um líder mundial – no caso, May – causou muitas dúvidas sobre como ele agiria durante o evento e como se portaria sendo presidente. Ele seguiria o protocolo? Deixaria May Falar? Faria piadas com o sotaque britânico?

Chanceler da Alemanha, Angela Merkel (Foto: AP Photo/Markus Schreiber)

Chanceler da Alemanha, Angela Merkel (Foto: AP Photo/Markus Schreiber)

Apesar das especulações, o republicano seguiu o que havia sido determinado, com exceção de alguns momentos. Na recepção, por exemplo, ao entrar na Casa Branca, Trump cumprimentou May com um aperto de mão que durou alguns minutos além do comum e se estendeu enquanto ele a acompanhava pelo local. Uma fonte oficial que não quis se identificar alegou que o presidente teme escadas e declives e, por isso, teria contado com a ajuda de May para caminhar.

Já o aperto de mão com o premiê japonês durou 19 segundos, mas o que aconteceu em seguida não estava no roteiro. Em meio aos flashes das câmeras, Trump perguntou a Abe o que os fotógrafos estavam dizendo, e ele respondeu: “Olhe para mim”. Mas o republicano não entendeu que essa era a tradução do que havia perguntado, e passou a olhar para o primeiro-ministro, causando um certo desconforto.

As coletivas de imprensa também trouxeram alguns momentos inusitados. Na visita de May, Trump afirmou que o Brexit – saída do Reino Unido da União Europeia (UE) – “iria ser uma coisa maravilhosa para o país”. A premiê apenas sorriu, mas internamente torcia por um acordo comercial com Washington.

No encontro com Abe, o momento foi mais desconfortável. Trump falou primeiro e quando chegou a vez do premiê, ele tirou do ouvido o aparelho de tradução e passou a falar em sua língua nativa. Trump não tinha a mesma ferramenta, mas fingiu entender tudo o que o colega estava dizendo em japonês. Uma porta-voz da Casa Branca explicou depois que Trump havia lido o texto e os dois líderes haviam conversado durante um certo tempo antes da coletiva. Apesar da explicação, Trump colocou um pequeno tradutor no ouvido no momento de perguntas e respostas com os jornalistas, já que alguns deles eram japoneses.

Com Trudeau, o clima foi mais conturbado em razão da diferença de pensamentos dos dois sobre a questão migratória. O canadense mal sorriu quando o assunto foi abordado na coletiva. Para Trump, os refugiado sírios são terroristas secretos, enquanto Trudeau defende uma abordagem completamente diferente.

Na visita de Netanyahu, o que mais chamou a atenção foi a abordagem dada ao conflito entre palestinos e israelenses. Trump rejeitou a solução de dois Estados, contrariando a antiga política americana com relação ao tema. O premiê não chegou a falar novidades. Em um determinado momento, o assunto sobre a construção de assentamentos israelenses em território ocupado acabou se tornando uma piada. “Ele é um bom negociador”, disse Trump. E Netanyahu respondeu: “Essa é a arte da negociação”.

Após a coletiva, os líderes normalmente se encontram a portas fechadas para discutir alguns assuntos específicos. No caso britânico, May foi criticada por não confrontar Trump na questão sobre os refugiados e seu decreto migratório. Mesmo assim, ela disse à imprensa que “deixou muito claro” que a decisão dele quanto aos imigrantes era “divisível e errada”.

Já o encontro com Abe foi marcado pelo lançamento de mísseis balísticos disparados pela Coreia do Norte. Diante da notícia, as equipes dos dois líderes iniciaram uma corrida em meio ao jantar de gala oferecido pelo americano para obter mais informações sobre o que havia ocorrido e o que seria feito em seguida. Um dos sócio do resort em Mar-a-Lago – onde acontecia o encontro – registrou o momento e as imagens foram muito compartilhadas nas redes sociais.

Diante disso, Merkel pode esperar tudo da visita à Casa Branca, menos que seja completamente normal e sem surpresas.