AP Photo/Jose Luis Magana
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AT&T diz que contratar advogado de Trump foi um 'grande erro'

Para CEO da gigante americana de telecomunicações, houve 'sério erro de julgamento' ao pagar por consultoria política de Michael Cohen após eleição presidencial de 2016; empresa diz que contrato não permitia que advogado fizesse lobby sem notificá-la

Cláudia Trevisan, Correspondente / Washington, O Estado de S.Paulo

11 Maio 2018 | 13h58
Atualizado 11 Maio 2018 | 17h17

WASHINGTON - A gigante de telecomunicações AT&T declarou nesta sexta-feira, 11, que cometeu um "grande erro" ao contratar Michael Cohen, advogado de Donald Trump, no início de 2017, quando buscava aprovação das autoridades de Washington à sua proposta de fusão de US$ 85 bilhões com a Time Warner, não concretizada até hoje.

Empresa de fachada de advogado de Trump recebeu US$ 4,4 milhões

A AT&T foi uma das empresas que pagaram Cohen na expectativa de receber ajuda para navegar o novo governo, promover seus interesses e ter acesso ao presidente ou a pessoas próximas dele. O advogado recebeu pelo menos US$ 2,3 milhões em contratos do tipo, US$ 600 mil dos quais vindos da empresa de telefonia.

Na quinta-feira, a companhia farmacêutica Novartis já havia feito um mea culpa em relação à contratação de Cohen, a quem pagou US$ 1,2 milhão para ter informações sobre as posições de Trump em relação ao sistema de saúde. Uma das principais promessas de campanha do presidente era acabar com o Obamacare, a reforma do setor aprovada em 2010.

Os pagamentos foram feitos à empresa Essential Consults, a mesma utilizada por Cohen para entregar US$ 130 mil à atriz pornô Stomy Daniels na véspera da eleição presidencial de 2016, com o objetivo de comprar seu silêncio em relação a um suposto caso que ela diz ter tido com Trump em 2006. 

+ Oligarcas russos pagaram US$ 500 mil a advogado de Trump, diz defesa de atriz pornô

Tanto a AT&T quanto a Novartis confirmaram que foram procuradas em dezembro pelo procurador especial Robert Mueller, responsável pela investigação sobre a interferência da Rússia na disputa entre Trump e a democrata Hillary Clinton.

Outro dos clientes de Cohen era o oligarca russo Viktor Vekselberg, de quem recebeu US$ 500 mil. As primeiras informações publicadas na imprensa americana diziam que ele era próximo do presidente russo Vladimir Putin e poderia ser a prova da ligação financeira entre o russo e Trump. Mas reportagens posteriores questionaram o grau da proximidade e sustentaram que Vekselberg tem interesses econômicos nos EUA que justificariam uma tentativa de se aproximar ou entender a nova administração.

"Nossa reputação foi prejudicada", afirmou o CEO da AT&T, Randall Stephenson, em comunicado enviado aos empregados da companhia e divulgado pelo Wall Street Journal. "Não há outra maneira de dizer isso - a contratação pela AT&T de Michel Cohen como consultor político foi um grande erro."

Responsável pela contratação, o executivo que dirigia o escritório em Washington, Bob Quinn, se aposentou. Stephenson disse que seu lugar será ocupado por David McAtee, chefe do Departamento Jurídico da empresa. "A prioridade número um de David é assegurar que cada indivíduo e firma que usamos na arena política sejam pessoas que compartilham nossos elevados padrões e dos quais nós tenhamos orgulho de estarem associados à AT&T."

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