SAID KHATIB / AFP
SAID KHATIB / AFP

Em dia mais sangrento, 44 morrem em conflito entre Israel e Hamas

Em meio a escalada da violência, cresce a pressão internacional por um cessar-fogo; primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, diz que ataques continuariam com "força total"

Redação, O Estado de S.Paulo

16 de maio de 2021 | 09h52
Atualizado 16 de maio de 2021 | 19h42

CIDADE DE GAZA - No dia mais sangrento desde o começo da escalada da violência no Oriente Médio,  ataques aéreos de Israel na cidade de Gaza derrubaram três edifícios e mataram ao menos 42 pessoas neste domingo, 16, marcando o dia mais violento desde que o conflito entre o país e o grupo militante Hamas começou, há quase uma semana. Dois israelenses também morreram após ataques de foguetes palestinos.

 Autoridades de saúde no território palestino dizem que pelo menos dez mulheres e oito crianças estão entre os mortos, com outros 50 feridos nos bombardeios.  O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) se reuniu para debater as hostilidades e divulgar uma declaração sobre o conflito, o que acabou não ocorrendo. 

Militares israelenses disseram que destruíram a casa do líder do Hamas em Gaza, Yahiyeh Sinwar, em um ataque separado na cidade de Khan Younis, no sul. O ataque atingiu a casa de Sinwar e de seu irmão Muhammad, outro membro sênior do Hamas. 

Em um discurso na TV, o primeiro-ministro, Binyamin Netanyahu disse que os ataques seguiriam com “força total” e “levarão tempo” até terminarem. Segundo ele, Israel “cobrará um preço caro” do Hamas, disse ele, ao lado de seu ministro da Defesa e rival político, Benny Gantz, em uma demonstração de união que não era vista há tempos entre ambos.

O gabinete do porta-voz do Exército israelense disse que o ataque teve como alvo a “infraestrutura militar subterrânea” do grupo militante. Como resultado do bombardeio, disse o Exército, “a instalação subterrânea desabou, fazendo com que a fundação das casas civis acima deles desabasse também, levando a vítimas indesejadas”. Israel tem repetido que seus ataques tentam atingir os túneis construídos pelo grupo.

No sábado, 15, os bombardeios israelenses na região mataram outras dez pessoas de uma mesma família palestina, entre elas oito crianças e duas mulheres. Um bebê de cinco meses sobreviveu. No mesmo dia, os ataques aéreos também destruíram o edifício al-Jalaa, de 12 andares, onde ficavam apartamentos residenciais e escritórios de meios de comunicação, como da agência de notícias Associated Press (AP) e da rede de TV Al-Jazeera. 

Sally Buzbee, editora executiva da AP, pediu uma investigação independente sobre o ataque.

Netanyahu disse que a inteligência militar do Hamas tinha operações no imóvel. “É um alvo perfeitamente legítimo”, disse ao programa Face the Nation da CBS neste domingo, 16. O Exército avisou que faria o ataque ao prédio e ele foi esvaziado. Mesmo assim, organizações internacionais condenaram a ação. 

Também houve protestos palestinos na sexta-feira, 14, na Cisjordânia, em que as forças israelenses atiraram e mataram 11 pessoas, segundo os palestinos. 

Nos últimos dias, Israel intensificou ataques para causar o maior dano possível no Hamas enquanto mediadores internacionais tentam negociar um cessar-fogo. Um diplomata norte-americano, Hady Amr, está na região para apaziguar as tensões desde sexta-feira

Conselho de Segurança da ONU se reúne para discutir a crise

Na abertura de uma sessão de emergência do Conselho de Segurança da ONU, neste domingo (16), o secretário-geral Antonio Guterres disse que o conflito pode "desencadear uma crise incontrolável". “O massacre continua”, disse Guterres o encontro virtual. O grupo negocia uma declaração que no momento não tem o apoio dos Estados Unidos.

“Este ciclo sem sentido de derramamento de sangue, de terror e de destruição, deve parar imediatamente”, disse o chefe da ONU durante o encontro, o primeiro público e o terceiro desde segunda-feira, organizado a pedido da China, Noruega e Tunísia.

O ministro das Relações Exteriores da Palestina, Riyad Al-Maliki, denunciou a "agressão" de Israel contra o "povo" palestino e seus "lugares sagrados". Já o embaixador israelense nos Estados Unidos e na ONU, Gilad Erdan, acusou o movimento palestino Hamas de ter "premeditado" uma guerra com Israel e de querer "tomar o poder na Cisjordânia".

Para Entender

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Segundo diplomatas, o Conselho negocia uma declaração, mas na manhã de domingo o apoio dos Estados Unidos continuava incerto. Até agora, Washington optou por dar tempo aos esforços diplomáticos para alcançar um cessar-fogo e considera que uma declaração do grupo seria "contraproducente". A posição não é compartilhada pela maioria do conselho, especialmente os aliados tradicionais de Washington.

A China lamentou a "obstrução" dos EUA a uma declaração e instou o Conselho a "agir" para encerrar as hostilidades.

Violência no Oriente Médio começou há uma semana 

A violência entre israelenses e palestinos começou no início do mês, em Jerusalém, quando moradores árabes do bairro Sheikh Jarrah, em Jerusalém Oriental, protestaram contra tentativas de serem retirados de suas casas e também após a polícia de Israel impedir a entrada na Mesquita de Al-Aqsa nos últimos dias do Ramadan, local e mês sagrados para os muçulmanos.

Na segunda-feira, o Hamas lançou mísseis contra o território israelense. Desde então, 181 palestinos foram mortos em Gaza, incluindo 52 crianças e 31 mulheres, além de 1.225 feridos. Do lado israelense, oito pessoas morreram - entre elas, um menino de 5 anos e um soldado. / AP e AFP

 

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