Mario Tarna/Getty Images/AFP
Mario Tarna/Getty Images/AFP

Como a desistência de Bloomberg pode impulsionar a campanha de Biden, em três pontos

Ex-prefeito bilionário retirou candidatura após Superterça, mas pode ter papel importante nas próximas etapas

Redação, O Estado de S.Paulo

05 de março de 2020 | 05h00

Após resultados decepcionantes na Superterça, o bilionário e ex-prefeito de Nova York Michael Bloomberg desistiu de disputar a indicação democrata para concorrer às eleições presidenciais de novembro. 

A decisão, anunciada na quarta-feira, 4, tem impacto nas campanhas dos pré-candidatos que continuam na disputa – Bloomberg já anunciou que apoiará Joe Biden. Confira como a desistência do bilionário pode ajudar a campanha do ex-vice presidente:

O dinheiro

Dono de uma fortuna estimada em U$ 60 bi, Bloomberg investiu mais de U$ 500 milhões – do próprio bolso – em propaganda. Ao lado de Sanders, foi um dos dois candidatos que chegaram à Superterça com recursos financeiros.

Biden, por outro lado, está no limite: após gastar pouco mais de 68 milhões, o ex vice-presidente entrou em fevereiro com uma reserva de apenas US$ 7,1 mi. Bloomberg se comprometeu a trabalhar para “tornar Biden o próximo presidente dos Estados Unidos”. Embora não tenha deixado imediatamente claro de que formas o apoiará, a expectativa é de que uma ajuda financeira significativa esteja envolvida. 

A estrutura

Questionado pelo jornal Washington Post sobre o apoio que Bloomberg dará a Biden, um funcionário do bilionário afirmou que ele havia previamente se comprometido a manter a estrutura da campanha ativa até novembro para ajudar o Partido Democrata a derrotar Trump. 

Não é pouca coisa. Além dos milhões gastos em propaganda na TV e na internet, Bloomberg investiu em uma grande ‘campanha real’ que atravessou todo o país. O bilionário tinha mais de 2.100 funcionários, com salários acima da média e bem equipados, e 200 escritórios espalhados pelo país. 

Antes da Superterça, a campanha planejava 2.400 eventos em 30 estados, com 75 representantes de peso que incluíam nomes como Michael Nutter, ex-prefeito da Filadélfia, e Manny Diaz, ex-prefeito de Miami. Com esse alcance, a estrutura pode ser muito útil à campanha de Biden.

Transferência de votos e delegados

Embora tenha perdido 14 estados na Superterça, Bloomberg angariou cerca de 1,7 milhão de votos. Ele venceu a senadora Elizabeth Warren na maioria dos estados com número significativo de eleitores negros, e disputou de perto com Biden o segundo lugar em Colorado. Além disso, o bilionário angariou 12 delegados.

Fora da disputa, Bloomberg deve ajudar a ‘transferir’ esses votos para Biden. Este caminho é considerado natural, já que os dois têm posições mais moderadas, se comparados a Sanders e Warren. É possível que os delegados também sejam direcionados para o ex vice-presidente. 

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