Alexey Druzhinin / Sputnik / AFP
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Dá para confiar na Copa do presidente Vladimir Putin?

É difícil comprovar a compra de juízes ou jogadores, mas é possível estimar, por padrões nos mercados de apostas, a probabilidade de que um resultado tenha sido influenciado por fatores externos ao gramado

O Estado de S.Paulo

17 de junho de 2018 | 03h00

Não bastassem as denúncias que pairam sobre a escolha da sede pela Fifa, sobre a construção de estádios e obras de infraestrutura, a Copa da Rússia é agora assombrada pelo espectro da corrupção nos próprios jogos, em especial os do time da casa. Apostadores profissionais evitam apostar em jogos da seleção russa, disse à TV australiana ABC Mark Philips, diretor da consultoria Global Sport Integrity (GSI). O salvadorenho Hector Silva Ávalos, da American University, chama a atenção para a importância da Copa para a propaganda de Vladimir Putin. “É importante para ele cimentar a popularidade e reivindicar conquistas”, afirmou Ávalos ao site Insight Crime depois da goleada russa sobre a Arábia Saudita. 

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É difícil comprovar a compra de juízes ou jogadores – um caso raro, desmascarado em 2013, envolve a eliminação de El Salvador da Copa do Brasil. Mas é possível estimar, por padrões nos mercados de apostas, a probabilidade de que um resultado tenha sido influenciado por fatores externos ao gramado, sobretudo pelo crime organizado, interessado nas apostas para lavar dinheiro.

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A consultoria Sportradar identificou, entre 2015 e agosto de 2017, 1.457 disputas suspeitas. A maioria em esportes mais sujeitos à manipulação, como tênis ou críquete. Mas o futebol tem sido visado, à razão de quatro jogos suspeitos a cada mil. Em 2016, a Justiça europeia baniu da Liga dos Campeões o KS Skenderbeu, campeão albanês, com base na análise da Sportradar. O escândalo do doping, em 2014, mostrou que Putin não tem pudor em recorrer a fraudes mirabolantes para atingir seus objetivos. Perto do que aconteceu na Olimpíada de Sochi, comprar um goleiro ou juiz é trivial.

Investigação

Inquérito sobre russos recebe apoio inesperado

O FBI sofreu um baque com o relatório em que o Departamento de Justiça apontou “insubordinação” do ex-diretor James Comey (foto) na investigação dos e-mails de Hillary Clinton. Mas é frágil a tentativa de usar as conclusões para deter o inquérito sobre a suspeita de intervenção russa na campanha eleitoral. Os argumentos dos partidários de Donald Trump são atacados no Lawfare Blog por ninguém menos que George Conway – jurista conservador casado com Kellyanne Conway, assessora próxima de Trump.

Coreia

Perfis falsos turbinam K-Pop no Twitter

A propaganda com perfis falsos no Twitter não se restringe à política. O Digital Forensic Research Lab verificou que hashtags aplaudindo a banda de pop coreano Bangtan Boys, ou BTS, foram usadas por 121 milhões de usuários entre abril e maio, pouco mais de um terço dos perfis ativos que o próprio Twitter diz ter. É um número absurdo. As contas em inglês e coreano do BTS reuniam, respectivamente, 15 milhões e 11 milhões

de seguidores.

Emergentes

Na Copa da dívida, Brasil é campeão

Quem se surpreende com a crise de confiança que afeta o real deve lembrar que, entre 40 países emergentes, só a Venezuela supera o Brasil nas últimas projeções de endividamento público do FMI. Pelo critério do fundo, a relação entre dívida e PIB saltará de 87% neste ano para mais de 96% entre 2022 e 2023, superando os patamares de França, Espanha, Reino Unido e Canadá. No quadro a seguir, a comparação com outros países emergentes.

Soberano

Oposição a Bibi perde o rumo em Israel

Uma das explicações para a longevidade de Bibi Netanyahu no poder em Israel está na desorganização da oposição. Depois da revelação de que o líder dos trabalhistas, Avi Gabbay, está por trás da campanha contra Yair Lapid, do partido Yesh Atid, ficou inviável articular qualquer tipo de aliança entre ambos para uma candidatura de centro-esquerda capaz de desafiar Bibi.

 

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