Anna Moneymaker/The New York Times
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Embaixador dos EUA na UE diz ao Congresso que seguia ordens de Trump sobre Ucrânia

Em depoimento na Câmara dos Deputados, Gordon Sondland diz que presidente americano usou seu advogado pessoal, Rudy Giuliani, para ordenar que ajuda americana a Kiev fosse condicionada a investigação sobre Joe Biden

Redação, O Estado de S.Paulo

20 de novembro de 2019 | 15h11

WASHINGTON - O embaixador dos Estados Unidos na União Europeia, Gordon Sondland, disse nesta quarta-feira, 20, que o presidente americano Donald Trump ordenou, através de seu advogado pessoal, Rudy Giuliani, o "quid pro quo", expressão que significa o popular "toma lá, da cá", em relação à Ucrânia, condicionando a ajuda militar ao país a uma investigação sobre a família do ex-vice-presidente e possível rival eleitoral Joe Biden.

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"O senhor Giuliani estava expressando os desejos do presidente dos EUA, e sabíamos que essas investigações (sobre Biden) eram importantes para o presidente", disse Sondland, durante testemunho no Congresso dentro da investigação liderada pelos democratas para abrir um julgamento político contra Trump devido à pressão sobre a Ucrânia.

Sondland também reconheceu a existência do "canal paralelo" que este ano redefiniu a política de Washington em relação a Kiev, formada por ele, pelo secretário de Energia, Rick Perry, e pelo enviado especial para a Ucrânia, Kurt Volker. O eixo é conhecido como "os três amigos" e, seguindo as ordens de Trump, coordenou a política para Kiev com Giuliani. 

"O secretário Perry, o embaixador Volker e eu trabalhamos com Rudy Giuliani em assuntos ucranianos, sob a direção expressa do presidente dos Estados Unidos", afirmou.

Sondland também afirmou que seguia ordens de Donald Trump no caso ucraniano. "Estávamos seguindo as ordens do presidente", disse o diplomata.

Em seu depoimento, Gordon Sondland confirmou a existência do "quid pro quo", uma expressão latina que significa dar algo em troca de algo mais e que está no centro da investigação.

"Houve 'quid pro quo?' Com relação à chamada solicitada da Casa Branca e da reunião da Casa Branca, a resposta é sim", disse o diplomata em seu depoimento inicial.

Essas declarações surpreenderam a bancada republicana, que esperava que o testemunho de Sondland protegesse os interesses de Trump.

Tentando se distanciar de Sondland, que fez declarações comprometedoras no Congresso sobre a pressão sobre a Ucrânia, Trump disse não ser próximo do diplomata.

"Não o conheço muito bem. Não conversei muito com ele", disse o presidente americano a repórteres na Casa Branca antes de ler algumas anotações que carregava, nas quais, segundo ele, ficou claro que ele nunca pediu a seu colega ucraniano, Volodmir Zelenski, para investigar um rival político.

Em um tuíte de 8 de outubro, Trump estava menos distante de Sondland, a quem o presidente nomeou como embaixador da UE, e o definiu como "realmente um homem bom e um grande americano".

Mudança de tom

A expectativa pelo testemunho de Sondland aumentou nas últimas semanas pois, depois de negar qualquer negligência em sua aparição inicial a portas fechadas, ele disse aos investigadores que os outros testemunhos tinham "revigorado sua memória" e reconheceu que ele próprio tinha comunicado em setembro ao governo ucraniano que os EUA não entregariam ajuda até que investigassem os democratas.

"Quando soubemos que a Casa Branca também havia suspendido a ajuda à segurança da Ucrânia, eu era categoricamente contrário a qualquer suspensão da mesma, uma vez que os ucranianos precisavam dessa verba para lutar contra as agressões", assinalou.

As audiências são retransmitidas inteiramente na televisão, diante da expectativa gerada entre a opinião pública e dentro da marcada polarização política no país.

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As investigações da Câmara dos Deputados buscam determinar se Trump bloqueou intencionalmente a entrega de ajuda militar de US$ 400 milhões à Ucrânia para obter uma investigação em Kiev sobre os negócios de Biden e seu filho Hunter naquele país. 

A caminho de se tornar o terceiro presidente americano a ser submetido a um processo de impeachment, Trump afirma que não fez nada de mal, que não houve nada irregular na conversa, e chamou a investigação de uma "caça às bruxas".  / EFE e AFP

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