Presidência do Irã
Presidência do Irã

Entenda os possíveis impactos da violação do acordo nuclear pelo Irã

País ainda não tem a capacidade de produzir armas nucleares, mas busca restaurar reservas anteriores às negociações

Redação, O Estado de S.Paulo

01 de julho de 2019 | 21h42

Em meio ao aumento das tensões com os Estados Unidos, o Irã ultrapassou o limite de estoque de urânio enriquecido previsto no acordo nuclear de 2015. Essa violação por si não implica que o país tenha a capacidade de produzir armas nucleares, mas dá um sinal de que Teerã está buscando restaurar as mesmas reservas de combustível atômico que levaram os Estados Unidos e outras potências a negociarem o acordo. Seguem questões sobre as possíveis consequências disso:

A violação é significativa?

O Irã pode manter até 300 quilos de urânio enriquecido a uma pureza de 3,67% – um nível utilizado apenas para fins civis de geração de energia elétrica. Isso é apenas uma fração do combustível que o país chegou a ter e foi enviado para desmantelamento fora do Irã a partir de 2015.

Segundo estimativa da Associação de Controle de Armas Nucleares, o Irã teria de triplicar a sua produção de combustível nuclear ao nível de 3,67%, para só a partir daí voltar a enriquecê-lo com a finalidade de construir apenas uma bomba atômica.

Romper o limite de 300 quilos não é em si um sinal de que o Irã abandonará o uso pacífico da energia nuclear, mas autoridades do país disseram na semana passada que podem até quadruplicar esse volume de combustível, deixando em aberto o que pretendem fazer com ele depois.

Isso quer dizer que o Irã violou todo o acordo?

Depende de para quem essa pergunta é feita. Os iranianos dizem que, pela letra fria do acordo, a imposição de sanções por um dos lados – como os EUA fizeram recentemente – abre o caminho para que o compromisso seja parcialmente rompido. Analistas com base nos Estados Unidos dizem que essa interpretação do Irã é unilateral e outros países não concordam com ela.

Outros países violaram o acordo?

Sim. Os Estados Unidos. Trump abandonou o acordo no ano passado, qualificando-o de desastre, e pedindo uma renegociação. Os outros signatários – Rússia, China, Alemanha, França e Reino Unido – seguem dentro do acordo e pedem que os EUA voltem ao pacto. O Irã, no entanto, acusa os europeus de não cumprirem compromissos econômicos previstos no acordo por medo de retaliação dos Estados Unidos. 

Qual a posição dos europeus?

As potências europeias, ao contrário de Trump, tentam preservar o acordo, temendo que os dois países possam entrar em um conflito armado. Eles têm pressionado o Irã a cumprir sua parte do pacto, sem deixar claro quais retaliações poderiam tomar. Pelo texto do acordo, em caso de acusações de descumprimento, uma comissão analisaria as possíveis violações. 

Qual o papel da ONU nessa crise?

O Conselho de Segurança apoiou o acordo em 2015 e retirou as sanções que aprovou contra o país. Há a previsão de um retorno das posições caso fique comprovado que o Irã trapaceou no acordo, o que arruinaria o pacto, mas isso precisa ser aprovado sem veto de nenhuma potência com assento permanente no conselho. / NYT

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