New York State Division of Criminal Justice Services/REUTERS
New York State Division of Criminal Justice Services/REUTERS

FBI abre investigação sobre morte do bilionário Jeffrey Epstein

Epstein aguardava julgamento por acusações de abuso sexual e foi encontrado morto em sua cela

Redação, O Estado de S.Paulo

11 de agosto de 2019 | 05h38

NOVA YORK - O FBI anunciou a abertura de uma investigação para esclarecer as circunstâncias da morte do bilionário Jeffrey Epstein, de 66 anos, encontrado sem vida dentro da cela da prisão federal de Manhattan, em Nova York, no sábado, 10. Ele era acusado de abuso sexual e aguardava julgamento.

O Departamento de Bombeiros de Nova York, responsável por gerenciar o atendimento médico de emergência da cidade, recebeu uma ligação sobre possível parada cardíaca do bilionário no início da manhã. As equipes de resgate foram à prisão, realizaram atendimento cardiorrespiratório e levaram Epstein ao hospital, onde a morte foi confirmada. O corpo ainda passará por autópsia.

O procurador-geral dos Estados Unidos, William Barr, afirmou que "a morte de Epstein levanta sérias dúvidas que devem ser respondidas" e disse estar "horrorizado" pelo fato de a morte ter ocorrido sob custódia do Governo Federal. Barr também confirmou que o Departamento de Justiça investigará o caso.

Em comunicado, os advogados de Epstein não confirmaram os rumores de que ele teria se enforcado, mas expressaram confiança de que as investigações abertas vão esclarecer o que ocorreu na cela.

No fim de julho, Epstein já havia sido encontrado inconsciente dentro da cela, com marcas no pescoço. Pela suspeita de tentativa de suicídio, as autoridades o mantinham sob vigilância mais rígida desde então, o que aumenta as dúvidas sobre as circunstâncias da morte.

O bilionário foi preso no dia 6 de julho, pouco depois de pousar em Nova Jersey. De lá, Epstein foi levado a Nova York para ser julgado pelo suposto envolvimento com uma rede de exploração sexual de menores de idade. Segundo a acusação, ele teria usado funcionários e outros colaboradores para atrair meninas para suas mansões. Depois de abusadas, elas teriam recebido dinheiro de Epstein.

Ele tentou aguardar o julgamento em liberdade e se ofereceu a pagar uma fiança de US$ 100 milhões. No entanto, a Justiça negou o pedido por temer que ele fugisse do país.

Na sexta-feira, um juiz da Corte de Apelações de Manhattan determinou a publicação de centenas de documentos sobre Epstein que pertenciam a um caso paralelo contra uma mulher acusada de recrutar potenciais vítimas para o milionário.

A advogada Roberta Kaplan, que representa uma das vítimas, disse ao "The Wall Street Journal" que a morte do bilionário não representa o fim do caso. "As muitas vítimas de Jeffrey Epstein e de seus cúmplices não devem perder a esperança. Vamos lutar para que todos os fatos de seus crimes sejam conhecidos pelo mundo", afirmou a advogada.

Epstein chegou a ser acusado pelos mesmos crimes na Flórida, mas fechou um acordo extraoficial com a Promotoria em 2008 para que o caso fosse encerrado. As vítimas só souberam das negociações a portas fechadas um ano depois da assinatura do acordo.

Devido ao pacto, supervisionado pelo então promotor de Miami, Alex Acosta, o bilionário se declarou culpado de outros crimes de menor potencial ofensivo e foi condenado a 13 meses de prisão. Epstein também foi fichado como criminoso sexual.

Quando o escândalo voltou à tona, Acosta, nomeado pelo presidente Donald Trump como secretário de Trabalho dos EUA, foi obrigado a renunciar ao cargo. /EFE

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