REUTERS/Luisa Gonzalez
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Greve, bloqueios e saques ampliam crise na Colômbia após 8 dias de protestos

Manifestantes continuam saindo às ruas de diversas cidades do país contra o governo de Iván Duque, que prometeu uma recompensa financeira por informações sobre quem cometer vandalismo

Redação, O Estado de S.Paulo

05 de maio de 2021 | 17h45

BOGOTÁ - Milhares de manifestantes voltaram às ruas em diversas cidades da Colômbia nesta quarta-feira, 5, no início da segunda greve nacional em protesto contra o governo do presidente Iván Duque, após uma semana de intensas manifestações, bloqueios de estradas e violência com dezenas de vítimas. 

O número de mortos no período é de 24, segundo a Defensoria do Povo, que disse que em 11 casos a polícia seria a responsável. Os outros casos correspondem a vítimas de civis e agressores desconhecidos, enquanto uma pessoa morreu de causas naturais, presumivelmente devido a uma doença cardíaca. O documento inclui informações sobre a identidade dos mortos e as circunstâncias nas quais morreram.

A cena dos bloqueios e protestos nesta quarta contrastou com o vivido em Bogotá entre a noite de terça-feira e o início da madrugada desta quarta, em que 23 delegacias foram atacadas no meio das manifestações, uma das quais foi incendiada com dez agentes dentro, distúrbios que deixaram feridos 72 civis e 19 policiais.

Diante da situação, a prefeita da capital colombiana solicitou auxílio do Ministério da Defesa para garantir a segurança de 2.825 pessoas privadas de liberdade em centros de detenção. Apesar do pedido, Claudia López garantiu que não vai militarizar a cidade, mantendo a segurança pública por meio dos agentes destinados a cumprir a função.

Cânticos e bandeiras

Os atos desta quarta começaram pela manhã em Bogotá, Barranquilla, Bucaramanga, Cali e outras capitais regionais, entre cânticos, bandeiras nas cores da Colômbia e brancas. "Chega de impostos", "Saúde e educação" e "Estão nos matando de fome" foram alguns dos cartazes expostos por grupos de manifestantes em Suba, região de Bogotá.

No Parque Nacional, um dos pontos de encontro dos manifestantes, houve exposições artísticas, batucadas e cânticos para um dia pacífico de respeito à vida.

Em Barranquilla, milhares de manifestantes vestindo camisas da seleção colombiana tomaram as principais vias se dirigindo à rua central de La Paz. Os comerciantes no centro desta cidade também organizaram uma manifestação para pr para combater o vandalismo nos protestos contra os saques e outros atos de vandalismo que sofreram na semana passada.

Enquanto isso, em Bucaramanga, capital do Departamento (Estado) de Santander, as pessoas foram cedo para as ruas e a avenida que liga ao município de Floridablanca ficou lotada devido a uma caravana de carros com bandeiras colombianas.

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Em Cali, os bloqueios formados desde terça-feira começam a impactar a vida cotidiana. Em alguns bairros começa a faltar gasolina. A cidade está militarizada e registrou as piores cenas de confrontos entre manifestantes e policiais ou militares. 

O governo insiste que grupos armados ilegais são os instigadores da violência, ao mesmo tempo em que não explica o uso desproporcional das forças de segurança. Os exageros vêm sendo denunciados por organizações internacionais como as Nações Unidas, a União Europeia e a Anistia Internacional.

Nesta quarta, o governo Duque ofereceu uma recompensa - 10 milhões de pesos (cerca de R$ 14 mil) - para quem fornecer informações que levem à prisão dos responsáveis pelos "atos de violência" nas manifestações. Em um comunicado, Duque abordou a mobilização, que acontece em diferentes cidades do país, mas principalmente em Cali e na capital, Bogotá. Nele, o líder conservador anunciou a estratégia para combater o vandalismo nos protestos. / AFP e EFE

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