AFP PHOTO / ZINYANGE AUNTONY
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Jornalistas são expulsos de entrevista coletiva de opositor no Zimbábue 

Chamisa contesta os resultados que deram vitória ao atual presidente,Emmerson Mnangagwa

O Estado de S.Paulo

03 Agosto 2018 | 17h44

HARARE - Uma dia depois de o presidente do Zimbábue, Emmerson Mnangagwa, ter sido declarado vencedor das primeiras eleições pós-Robert Mugabe,  soldados da unidade antidistúrbios da polícia invadiram o hotel onde o líder opositor Nelson Chamisa daria uma entrevista coletiva nesta sexta-feira, 3, e expulsaram os jornalistas. Eles alegaram que os profissionais deveriam comprovar suas credenciais. 

A situação só foi normalizada depois que o ministro da Informação, Simon Khaya Moyo, apareceu no local e ordenou aos agentes que fossem embora e não interrompessem a entrevista. Pouco depois, Mnangagwa publicou duas mensagens em sua conta do Twitter nas quais garantiu que as cenas assistidas hoje não se repetiriam, e anunciou uma “investigação urgente” sobre a intervenção policial.

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“Nos últimos nove meses, protegemos a liberdade de imprensa, a liberdade de reunião e a liberdade de criticar o governo. É uma parte indispensável do novo Zimbábue. Não é negociável e não mudará. Ganhamos as eleições de maneira livre e justa e não temos nada a temer e nem para esconder. Qualquer um é livre de se dirigir aos meios (de comunicação) quando quiser”, acrescentou. 

Após vários dias de espera e tensão, a Comissão Eleitoral do Zimbábue anunciou na quinta-feira  à noite os resultados oficiais e  a vitória de Mnangagwa com 50,8% dos votos, graças principalmente aos seus bons resultados nas áreas rurais. 

No entanto, o líder opositor se recusou  a proclamar Mnangagwa como vencedor das eleições, que qualificou de “fraudulenta, ilegal e ilegítima” na entrevista coletiva.

Chamisa, do Movimento pela Mudança Democrática (MDC), reiterou que os resultados eram falsos e a apuração alternativa de seu partido demonstravam sua vitória, sem divulgar as provas que disse possuir. Ele tem até a próxima semana para impugnar os resultados, mas o opositor não confirmou se irá à Justiça. / AFP e EFE 

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