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Para melhorar imagem, Trump fala o idioma de Davos

Presidente conclamou o público a investir em seu país, defendeu uma abertura comercial 'justa' e cantou a glória de sua reforma tributária

Helio Gurovitz, O Estado de S.Paulo

28 Janeiro 2018 | 03h00

Não é difícil entender o sucesso de Donald Trump no Fórum Econômico Mundial de Davos, o convescote anual da elite que ele tanto atacou em sua campanha eleitoral. Em vez de improvisar, leu um discurso preparado por Gary Cohn, ex-banqueiro do Goldman Sachs, seu conselheiro econômico e veterano de Davos. Cohn é o principal representante da ala “globalista” da Casa Branca.

+ As palavras de Trump sobre Jerusalém

O discurso passou ao largo da plataforma nacionalista, das tarifas recém-impostas a máquinas de lavar e painéis solares, das mudanças climáticas e da diversidade cultural. Em vez disso, Trump apostou no que tinha em comum com a plateia. Empresário, falou o idioma de Davos sem sotaque. Conclamou o público a investir em seu país, defendeu uma abertura comercial “justa” e cantou a glória de sua reforma tributária. “América primeiro não significa América sozinha”, disse, no slogan adaptado por Cohn.

+ A armadilha de Trump para a imprensa

Os indicadores econômicos lhe dão razão: crescimento de 2,3%, em 2017, alta de US$ 7 trilhões nas bolsas e 260 empresas distribuindo bônus e aumentos a 3 milhões de americanos. A principal dúvida é política. A confiança global na liderança americana caiu ao nível mais baixo na história. Na Foreign Affairs, Stewart Patrick relata os planos de aliados e parceiros para viver sem ela, enquanto esperam que Trump seja “uma aberração temporária, em vez de um ponto de inflexão”.

Liberdade de expressão

As razões dele contra a imprensa

Em Davos, Trump chamou a imprensa de “má, mesquinha, viciosa e falsa”. Não é uma queixa vazia. A imprensa americana tem publicado bem mais notícias negativas sobre ele do que sobre outros presidentes. Só nos primeiros 60 dias de governo, de acordo com o Pew Research Center, Trump obteve 62% de cobertura negativa – o triplo de Barack Obama e o dobro de George W. Bush.

Economia

Revisão na história da desigualdade

O economista britânico Angus Maddison deixou como legado uma base de dados com a evolução histórica do PIB no planeta. Mantida pela Universidade de Groningen, na Holanda, ela acaba de sofrer revisão profunda, com base no poder de compra da população, não apenas nas contas nacionais. A mudança deverá ter impacto nos estudos comparativos sobre pobreza e desigualdade. Nos anos de globalização, a desigualdade entre o Brasil e países ricos caiu bem mais do que se supunha.

Tecnologia

‘Abu Windows’ no Estado Islâmico

Implacável nos tribunais de inquisição mantidos pelo Estado Islâmico, Abu Maram al-Jaza’iri foi apelidado “Windows”, por excomungar até quem concordasse com as condições de instalação de software. Para evitar heresia, ordenava que outros clicassem na hora de instalar seus próprios programas, diz Cole Bunzel, da Universidade Princeton.

Crime

Carteirada para evitar prisão em Nova York

A Associação Benevolente dos Patrulheiros, uma espécie de sindicato policial nova-iorquino, reduzirá a mamata dos cartões que evitam prisões e multas de trânsito, distribuídos a parentes e amigos de policiais e revendidos na internet por até US$ 300. Mas não se tem notícia de uso para driblar prisões por corrupção.

2.ª Guerra

Força bélica nazista era ilusória

Em The Second World Wars: How the First Global Conflict Was Fought and Won, Victor Davis Hanson demonstra, com base em levantamento estatístico, que desde o início era patente a inferioridade bélica da Alemanha na 2.ª Guerra. Mesmo que a Luftwaffe tivesse mais aviões, como dizia o aviador e simpatizante nazista Charles Lindbergh, os Aliados levavam vantagem de dez para um na artilharia.

 

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